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Assembleia debate políticas para combater a homofobia na Bahia

Publicado em: 13/05/2009 00:00
Editoria: Diário Oficial

Bira Corôa, proponente da audiência pública, disse que o momento é de luta pela igualdade
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Com o objetivo de debater políticas públicas voltadas para o combate à homofobia no Brasil, e especialmente na Bahia, o deputado Bira Corôa (PT) promoveu ontem pela manhã uma audiência pública que teve como tema o Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia, que será comemorado em 17 de maio. Segundo o parlamentar, essa audiência teve como finalidade promover um espaço para as comunidades que possuem menos visibilidade na sociedade, e assim propor novas resoluções. Ainda segundo ele, a comunidade GLBT – lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgêneros – ainda sofre muito com a discriminação social, que muitas vezes vem da própria família.

Para o deputado, independente da raça, da cor e da opção sexual, a Assembleia vem lutando pela consolidação de uma sociedade igualitária, e "esse é um momento de avançarmos na Bahia", ressaltou o petista.

Já para o deputado Eliedson Ferreira (DEM) nada justifica a violência e discriminação que a comunidade GLBT tem sofrido. "Não podemos exigir que as pessoas pensem da mesma forma, mas também não podemos aceitar que por que pensam diferente se achem no direito de discriminar e de criar mais violência", comentou o democrata. Neste mesmo sentido o deputado João Carlos Bacelar (PTN) afirmou que tem aumentado o índice de violência contra os integrantes da comunidade GLBT. João Carlos aproveitou a oportunidade e sugeriu que fosse promovido um evento entre as comissões de Promoção da Igualdade e Direitos Humanos e Segurança Pública, contando também com a participação de todos que lutam por essa causa, para que juntos pudessem criar um grande dia de combate à homofobia. Para Bira Corôa essa é uma sugestão de grande importância, levando em consideração que esse dia representa não somente uma data comemorativa, mas também, "os avanços da história de nossa luta".

 

ORGANIZAÇÃO

 

De acordo com Ricardo Santana, do Fórum Baiano LGBT, o dia 17 de maio ficou conhecido como o dia contra a homofobia porque neste mesmo dia, no ano de 1990, a organização mundial de saúde retirou a homossexualidade do rol de doenças. Porém, segundo ele, a homofobia é uma doença que pode ser tratada com educação e respeito. Além disso, ele afirma que dentre o grupo GLBT, as negras e jovens são consideradas as mais vulneráveis a violências. Para Ricardo Santana, os negros são os mais descriminados e precisam ser respeitados independente de sua cor ou orientação sexual.

Na Bahia, segundo Franklin da Silva, presidente do grupo gay de Lauro de Freitas, tem crescido o número de assassinatos contra os GLBT, pois em 2008 foram 25 assassinatos e em 2009 já ocorreram 180 casos. Ainda segundo ele, 84% dos gays do Nordeste sofrem homofobia. De acordo com o deputado Yulo Oiticica (PT), infelizmente a Bahia tem um alto índice de discriminação. Do mesmo modo a presidente do grupo GLBT OMNI, de Cruz das Almas, Débora Valadares, afirma que a Bahia está na disputa com Pernambuco pelo Estado com o maior índice de violência contra os gays.

"Não precisamos e não queremos ser tolerados simplesmente porque consta em lei, essa luta contra a homofobia tem por finalidade trabalhar a conscientização e educação da sociedade", explicou Débora Valadares.

 

ESCOLAS

 

A falta de controle das escolas públicas contra a homofobia também foi destacada na audiência pública. Segundo Wesley, do Núcleo Setorial LGBT do PT/Ba, muitos gays não conseguem se manter nas escolas devido à grande discriminação por parte dos outros alunos. Ainda segundo ele, esses gays acabam indo para as ruas ou para a prostituição. "Os gays sofrem discriminação em casa, na escola, no trabalho", comentou Wesley.

Sandra Maria da Silva, da coordenação de diversidade da SEC, aproveitou e convidou os representantes da luta contra a homofobia para que fossem dar palestras nas escolas a fim de promover uma cultura de paz e respeito à diversidade.

Segundo o deputado Ivo de Assis (PR), são por essas e outras questões que é necessário buscar uma solução para que todos tenham seus direitos dentro dessa sociedade, o direito a segurança, a educação e ao de se expressar.



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