"Imortal Irreverência", livro que a Assembleia Legislativa lança hoje, às 17h, resgata as entrevistas remanescentes do trabalho executado pelo escritor e jornalista Guido Guerra para o saudoso Jornal da Bahia em meados da década de 80, todas com personagens destacados da vida cultural e política da Bahia de então. O Legislativo publicou há quatro anos os volumes com parte dessas extensas entrevistas (A Noite dos Coronéis 1 e 2), com seleção de textos feita próprio Guido Guerra, livros que se esgotaram rapidamente.
O falecimento precoce do escritor determinou a mudança conceitual do projeto, transformado-se em homenagem póstuma, sendo mantido em seu corpo as últimas 18 reportagens. Trata-se de um trabalho diferente e não "A Noite dos Coronéis 3". Tampouco foi mantido o título e a capa original com uma caricatura de Gentil do "Papagaio Devasso", alcunha sem dúvida exagerada que Guido Guerra recebeu no início de carreira. Este livro integra o selo Ponte da Memória criado pelo Legislativo Estadual.
PERFIL
A nova publicação teve a capa desenhada pelo caricaturista e cartunista Borega e foi editada pelo jornalista, professor de literatura e amigo de Guido Guerra Cid Seixas (ele próprio um dos entrevistados), que também traçou um perfil do antigo companheiro de redação. O livro tem ainda uma entrevista que os acadêmicos Carlos Ribeiro e Aleilton Fonseca, professores e jornalistas, fizeram com Guido Guerra, além do seu altivo discurso de posse na Academia de Letras da Bahia, em 29 de novembro de 2001.
Foram recuperados e editados também os discursos proferidos por Ruy Espinheira Filho (também entrevistado por Guido Guerra), acadêmico, professor, poeta e seu amigo constante, quando da sessão solene póstuma em reverência à sua memória ocorrida na Academia de Letras da Bahia um mês após o seu falecimento e o emocionado depoimento de agradecimento de sua filha, Isadora Guerra. Outro acadêmico, Armando Avena, escreveu a apresentação do livro. Um escrito de Guido sobre o ofício do escritor, com pinceladas biográficas completa o volume.
As entrevistas agora publicadas foram realizadas entre 1986 e 1987. Nove delas haviam sido obtidas pelo jornalista Cláudio Leal, entusiasta dessa publicação, e as demais resgatadas na Biblioteca Central dos Barris pelos servidores da Assembleia Gelson Barbosa, Urbano Lutigards e Alexsandro Mateus. Esses textos começam na página 87 do livro e vão até à de número 436, sendo editadas por ordem alfabética dos entrevistados.
À exceção do cantor e compositor Vicente Celestino, de quem Guido Guerra era admirador e autor de um ensaio-reportagem, "O Hospede das Tempestades", todos os demais entrevistados eram baianos. A entrevista com Celestino, inclusive, é a maior de todas, com 40 páginas. Segue a relação dos títulos com os nomes dos demais entrevistados:
"Nasci para tempestades", Adelmo Oliveira; "Tempo para um hóspede da tempestade", Ariovaldo Matos; "A timidez escondida", Cid Seixas, "Não faço Pelé em série", Diógenes Rabelo; "Ninguém me representa. Nem Marx nem Jesus", Geraldo Maia; "Nunca vesti camisa verde", Germano Machado; "A rua era meu mundo", Ildásio Tavares; "A grande dúvida está no começo", Ivan Dórea Soares; "O Repouso do Guerreiro", João Carlos Teixeira Gomes; "Os revolucionários também dizem adeus às ilusões", João Luiz da Silva Ferreira; "A Tropicália não veio para ficar", José Carlos Capinam; "Meu primeiro velocípede valeu uma surra", Jota Luna; "Não sou feminista. Sou mulher", Nilda Spencer; "O preço das inimizades gratuitas", Ruy Espinheira Filho; "Nunca perco a perspectiva de mundo", Sólon Barreto; "A voz orgulho do Brasil", Vicente Celestino; "A pátria é o coração", Wilson Lins; e para encerrar, "Não deixe o público dormir", Wilson Melo.
RESGATE
O resgate das preciosas entrevistas realizadas por Guido Guerra começou na gestão do deputado Clóvis Ferraz à frente da presidência da Assembléia quando os primeiros volumes foram editados e publicados, prosseguindo na mesa Diretora dirigida pelo deputado Marcelo Nilo, um leitor constante da prosa e do material jornalístico produzido por Guido, e incentivador da continuidade desse projeto.
Para Nilo, trata-se de uma tarefa indeclinável do Legislativo perenizar a obra de um intelectual como Guido Guerra. Ele encontra semelhanças entre o resgate dessas entrevistas com baianos – que não podem ser esquecidos – com a coleção "Gente da Bahia", que idealizou para preservar a memória de tipos e personagens baianos "inesquecíveis".
A coleção já publicou os perfis do artista plástico Carybé, do compositor e cantor Gordurinha, do cantor e compositor Riachão, da Mulher de Roxo, do cineasta Roberto Pires, autor do primeiro filme de longa-metragem realizado na Bahia, Redenção, que está completando 50 anos, e do próprio Guido Guerra.
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