MÍDIA CENTER

AL debate terceirização dos três centros de convenções da Bahia

Publicado em: 06/05/2009 00:00
Editoria: Diário Oficial

O secretário de Turismo, Domingos Leonelli, informou que os centros dão prejuízos ao Estado
Foto:  

O secretário estadual de Turismo, Domingos Leonelli, revelou ontem na audiência pública promovida pela Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo, a intenção do governo da Bahia em terceirizar os três centros de convenções do estado – Salvador, Porto Seguro e Ilhéus. "O objetivo dos centros é atrair eventos para o estado, equilibrando a sazonalidade do fluxo de turismo", enfatizou Leonelli, revelando que esse objetivo não vem sendo alcançado. Mesmo depois da racionalização que a secretaria vem exercitando nesta nova gestão, o Centro de Convenções de Salvador, por exemplo, apresenta um prejuízo anual de R$ 1,5 milhão.
Ainda para o secretário, existem problemas graves que evidenciam a necessidade da terceirização: a deterioração de bens públicos, a prática já enraizada de uma falsa estatização que transfere recursos públicos para o setor privado, com a diminuição dos valores de contrato e a aplicação do montante estimado de, aproximadamente, R$ 30 milhões para que os três centros estejam adequados para o fim a que se destinam. "Estes investimentos podem ser direcionados para outras áreas, como educação e saúde, por exemplo", frisou Leonelli.
Luiz Renato Ignarra, da empresa Indústrias Criativas, responsável pelo diagnóstico da viabilidade de terceirização, apresentou um estudo de modelagem de negócio, indicando que empresas privadas poderão executar modelos mais rentáveis e sustentáveis de administração, tornando estes espaços superavitários e lucrativos. Segundo ele, este modelo administrativo já é utilizado em São Paulo e no Rio de Janeiro, cidades que recebem mais eventos internacionais do que a capital baiana.
Existem duas propostas de terceirização: uma que sugere que a administração dos três centros seja feita separadamente para cada empreendimento de forma que não se impeça a participação de grupos empresariais locais de Porto Seguro e de Ilhéus; a outra, mais aceita pelos membros do colegiado, estipula que um mesmo grupo empresarial seja responsável pelo uso dos três empreendimentos. "Se individualizarmos a terceirização, o problema de Salvador logo será resolvido, no entanto, os outros dois podem não ser contemplados. É preciso pensar a Bahia como um todo, de forma global", enfatizou Emília Maria Salvador Silva, presidente da Bahiatursa.

DIÁLOGO AMPLIADO

O presidente da comissão, deputado Ivo de Assis (PR), enfatizou a necessidade de uma discussão mais ampliada, envolvendo um número maior de setores da sociedade. O líder da minoria, o democrata Heraldo Rocha, informou que a oposição ainda não tem uma ideia pré-estabelecida sobre o assunto. "Precisamos saber qual a posição de outros segmentos", declarou Rocha. Já a deputada Ângela Sousa (PSC) se mostrou favorável, uma vez que para ela é impossível pensar em centros de convenções sem condições de atender o público e com o governo tendo que deixar de investir em áreas essenciais para os baianos para investir nestas restaurações. "Se a mudança é a terceirização, vamos lutar para operacionalizar esta proposta."
Segundo membros da secretaria, depois de apresentar o diagnóstico ao governador e à comissão, no próximo dia 8, será a vez do setor de trade turismo e organizadores de eventos, Convention Bureaux. Nos próximos dias esta situação será debatida com os funcionários da Bahiatursa que exercem suas funções nos centros de convenções do Estado.



Compartilhar: