Marcados por lutas em favor da classe dos trabalhadores, os 90 anos de história do Sindicato dos Metalúrgicos foram lembrados na Assembleia Legislativa da Bahia, em sessão especial proposta pelo deputado Álvaro Gomes (PCdoB). Na ocasião, atuais e ex-diretores do sindicato, além de lideranças sindicais de diversas entidades baianas e nacionais, subiram à tribuna para dar o testemunho de lutas que estão registradas na história da instituição.
"O Sindicato dos Metalúrgicos tem uma bela história de concepção classista e em defesa dos interesses da comunidade, mas também de dificuldades enfrentadas, fazendo história, opondo-se ao capitalismo", definiu o deputado Álvaro Gomes. O parlamentar lembrou a história da entidade, desde a sua fundação, no dia 30 de abril de 1919, quando foi criada a associação União dos Artífices Metalúrgicos da Bahia.
O comunista destacou que o sindicato foi criado em meio ao surgimento das ideias socialistas surgidas na União Soviética, no início do século passado. O parlamentar lembrou passagens, como os períodos ditatoriais, em que representantes do sindicato foram perseguidos. "Em 1937, um histórico líder, João dos Passos, foi preso e sofreu torturas que lhe deixaram sequelas permanentes, mas não deixou a luta", recordou.
A eleição de 1982 para a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos foi um dos principais momentos da entidade, segundo o parlamentar. "Naquela ocasião, as duas oposições se unificaram em uma chapa única para derrotar Manuel dos Santos, que era ligado aos defensores da ditadura e ficou conhecido como pelego fujão", disse o parlamentar, lembrando as greves gerais de 1986 e 1987.
"Recuperar a presidência do sindicato foi fundamental para a retomada no caminho para a democracia", afirmou o ex-diretor do sindicato, hoje superintendente de Recursos Humanos da Secretaria estadual de Educação (Seduc), José Carlos Sodré. Em um discurso emocionado, Sodré lembrou momentos em que jovens na faixa dos 25 anos lutavam, sem medo das forças repressivas, em prol dos ideais socialistas. "Qualquer palavra falada dita em uma hora ou local errado poderia causar o sumiço de um colega, como vários que sumiram", disse.
O ex-diretor recordou quando militantes enfrentaram policiais armados de metralhadoras dentro da sede do sindicato. "Estávamos tão envolvidos na causa, que eu ficava até 15 dias sem ver minha filha, mas valeu à pena. Se não fosse por isso, não estaríamos aqui hoje", disse, lembrando da luta, desde 1989, para a eleição de Lula para presidente.
TRADIÇÃO
"Com sua tradição de luta, o Sindicato dos Metalúrgicos sobreviveu às dificuldades impostas pela ditadura e esteve presente nas principais lutas pela cidadania, como a campanha para Diretas Já, Fora-Collor e a eleição do metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva", comentou o presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Adílson Araújo, parabenizando o sindicato em nome da entidade.
O atual presidente do sindicato, Sílvio Pinheiro, que está iniciando seu segundo mandato, lembrou que a entidade contribuiu não só no aspecto financeiro quanto político da sociedade baiana e brasileira. "Firmamos o compromisso de continuar lutando em defesa dos interesses da categoria e manter a luta por uma sociedade mais justa", disse.
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