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AL homenageia a luta do MST

Publicado em: 20/04/2009 00:00
Editoria: Diário Oficial

Proponente da sessão, o petista Yulo Oiticica afirmou que na luta não existe neutralidade
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Punhos cerrados, gritos de guerra, determinação, orgulho e, em vez de invadirem a Assembleia Legislativa, representantes do Movimento do Trabalhadores Sem-Terra, MST, ocuparam o plenário trazendo consigo 25 anos de história. "Enquanto existir fome, enquanto existir guerra, o MST vai lutando pela terra", estes versos, que fazem parte do repertório de luta do movimento foram repetidos por todos, inclusive pelos componentes da mesa. "Para deixar bem claro de que não existe neutralidade, eu quero dizer de que lado eu estou", enfatizou o proponente da sessão especial, que homenageou os "25 anos de luta do maior movimento popular organizado do país", o petista Yulo Oiticica, que em seguida pôs na cabeça o boné vermelho que representa o movimento.
"Só pelo fato de termos assentados 300 mil famílias, só isso já é um acúmulo positivo para a sociedade", ressaltou Vera Lúcia Barbosa, da Direção Nacional do MST, que fez um balanço positivo destes anos. Segundo ela, além de ocupar e produzir alimento, o MST também esta produzindo conhecimento e novas relações humanas, oferecendo 65 cursos formais, atuando em conjunto com Cuba, Venezuela, Haiti, Moçambique, assimilando suas experiências e levando o aprendizado em áreas especificas para este países.

MUDANÇA SOCIAL

Para Valmir Assunção, secretário estadual do Desenvolvido Social e Combate à Pobreza, o MST mudou a história do movimentos sociais no país, mas, ainda tem grandes desafios. "Precisamos zerar o analfabetismo dentro dos acampamentos, pois é do processo educacional que a gente pode avançar", destacou o secretário, que, segundo ele, foi questionado se mesmo fazendo parte do governo e, o MST ocupando a sede da Secretária de Agricultura, ele participaria da sessão. "Estas ações não são incompatíveis. As reivindicações dos sem-terras são reconhecidas pelo governador Jaques Wagner e ele sabe que elas são justas", concluiu.
Para o parlamentar Bira Corôa, "esta é a maior entidade popular de luta nascida no Brasil, responsável por uma nova concepção e pela consolidação da democracia". Já Ailton Florêncio, representando a Secretaria de Agricultura, destacou que a luta do movimento não pode ser vista apenas como um questão particularizada, "ela é de todos aqueles que lutam por dignidade e precisam dessa dignidade para viver. Ela é uma necessidade histórica de quem quer trabalhar".
Segundo Jonas Paulo, presidente do PT baiano, as ações efetivadas pelo MST durante estes anos provocou mudanças na visão pública e politica do país, uma vez que, para ele, "não existe democracia quando os trabalhadores não ocupam os espaços políticos". Este pensamento foi corroborado por Luiz Gugé, Superintendente do Incra na Bahia, que destacou o aprimoramento do diálogo, frisando a capacidade de mobilização e de indignação dos militantes.
No final, todos visivelmente emocionados entoaram: "esse é o nosso país, essa é a nossa bandeira, e é por essa pátria Brasil que a gente segue em fileira", enquanto isso uma enorme bandeira com o símbolo do movimento passava orgulhosamente pelas mãos calejadas dos inúmeros sem-terras que lotaram o plenário, o salão verde e as galerias da Assembleia.



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