MÍDIA CENTER

Campanha da Fraternidade de 2009 mobiliza debates na AL

Publicado em: 17/04/2009 00:00
Editoria: Diário Oficial

Proponente da sessão especial, o petista Yulo Oiticica falou que a segurança pública é uma "temática que perpassa toda a sociedade brasileira"
Foto:

A Assembleia Legislativa realizou ontem sessão especial para homenagear a Campanha da Fraternidade deste ano, que tem como tema "Fraternidade e Segurança Pública". O evento reuniu autoridades civis, militares e eclesiásticas e foi proposto pelo deputado Yulo Oiticica (PT), que tem atuação expressiva na comunidade da Igreja Católica e tem norteado o mandato para ações de defesa dos direitos humanos.
A sessão foi aberta às 15h45 pelo presidente Marcelo Nilo (PSDB) que, após a composição da mesa, deu a palavra para Yulo proferir o discurso de abertura. Após contar como se deu o início da Campanha da Fraternidade, em 1962, no Rio Grande do Norte, o parlamentar começou a relatar as diversas formas de violência. Em sua fala, relacionou à violência temas delicados entre os católicos, ao defender que "em alguns momentos a camisinha pode e dever ser usada", mas atacou a prática do aborto, dizendo que esta "não pode ser a saída para atitudes irresponsáveis".

ISAÍAS

Yulo explicou que a campanha deste ano tem como lema uma citação do Livro de Isaías, em que está escrito que a paz é fruto da justiça. "No momento atual, a questão da segurança pública é uma temática que perpassa toda a sociedade brasileira, expressa em atos extremos de violência que têm sido verificados com relativa regularidade", disse o deputado, destacando que "a CNBB assume uma postura de enfrentamento a essa questão pela via do Evangelho".
Durante o discurso "a campanha nos convida a ver, julgar e agir", exortou, dizendo tratar-se de "um grito de denúncia contra os crimes e as mazelas sociais". Yulo citou a violência contra os jovens, a mulher e os de conotações racistas, além da violência no campo, e disse que desde 2003 luta para instalar uma CPI para apurar a atuação de grupos de extermínio na Bahia. Ele também criticou a mídia, afirmando que os veículos contribuem para o aumento da violência com programas que tratam a violência como grande espetáculo.

ORAÇÃO

O bispo auxiliar da Arquidiocese de São Salvador, dom Josafá Menezes, ocupou a tribuna do plenário pouco depois de Marcelo Nilo passar a Yulo a direção dos trabalhos. O religioso transformou em púlpito aquele instrumento maior da expressão parlamentar e fez uma exortação pela paz, justiça social e pela conversão do homem. Falaram, em seguida, o procurador geral da Justiça, Lidivaldo Britto, e a defensora Pública Geral, Tereza Cristina Almeida Ferreira, todos no mesmo espírito de exaltar valores cristãos.
Lidivaldo disse que o problema da violência é muito profundo para ser tratado inteiramente em uma tarde apenas. Ele defendeu que o país precisa reverter a grande desigualdade social, mas alertou que a pobreza não é explicação para a escalada de violência dos últimos anos. "Sempre fomos uma sociedade desigual", considerou, destacando ainda que, em países ainda mais pobres os índices de criminalidade não são tão expressivos. Crise de valores, desestruturação familiar e perda de fé nas instituições foram alguns dos fatores citados como determinantes para a situação atual.
Teresa Cristina, por sua vez, disse que "Yulo busca, na luta pelos direitos humanos, tentar nos cobrar a humanidade de cada um de nós, no sentido de não perdermos a perspectiva de novas ações". Ela anunciou que a Defensoria está envolvida na participação da Conferência Nacional de Segurança Pública e que realizará, em junho, seminário nacional para discutir a segurança pública e o acesso à Justiça.
O último orador da tarde foi o líder comunitário Carlos Prazeres, da Paróquia de Cosme e Damião, que ocupou a tribuna com a fúria de Jesus quando expulsou os vendilhões do templo. Pontuou a sua fala, atacando a omissão daqueles que fecham os olhos para a corrupção e a violência no país. "Violência não é só tiro e facada: isto é apenas o resultado de todas as violências", disse, pouco depois de reclamar por uma presença maior de parlamentares na sessão. Ele também atacou os programas televisivos, acusando a Itapuã e a Aratu de fazerem apologia da violência. Ele também citou o programa Malhação, da TV Globo, por glamourizar atitudes anti--éticas.



Compartilhar: