O falecimento prematuro do radialista, escritor, poeta, professor, intelectual e ativista do movimento negro brasileiro Jonatas Conceição, aos 56 anos, ocorrido no último dia 3 de abril, vítima de um câncer digestivo, consternou a deputada Marizete Pereira (PMDB), que prestou homenagem através de moção de pesar, apresentada na Assembleia Legislativa da Bahia.
Nascido em Salvador em 1952, e com raízes profundas na cidade de Saubara, cidade natal de seu pai, Jonatas Conceição foi pioneiro na fundação e na militância do movimento negro baiano, no final dos anos 70. De acordo com a parlamentar, Jonatas abraçou a causa da luta baiana, nos anos em que o racismo era aberto e os movimentos eram coibidos e repreendidos pelos governos locais e pelo regime militar ainda vigente no país. O Pelourinho, onde Jonatas já atuava à frente do Movimento Negro Unificado, naquela época, além de ainda não ser reconhecido como berço da cultura africana, era um local muito discriminado pela sociedade. "Mas a luta desse ativista era incessante e corajosa, dadas as variáveis aqui mencionadas", completa.
Uma das principais armas de Jonatas contra o racismo e pela libertação efetiva dos negros era a sua pesquisa e o estudo social e antropológico das raízes africanas. Jonatas graduou-se em Letras Vernáculas com Francês em 1975, pela Universidade Federal da Bahia e após a graduação continuou os estudos. Em 1977, especializou-se em Liguística, seguindo o mesmo tema para se tornar mestre e doutor, respectivamente em 2004 e 2005. Professor da Uneb, escreveu cinco livros e trabalhava no Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia – Irdeb, onde era autor e roteirista de informes culturais e programas educativos.
A deputada lembra que os temas de suas dissertações e teses nos cursos de Linguística eram intrinsecamente ligados à literatura negra. "Com isso, ele se transformou numa das maiores autoridades do Brasil nas áreas que ligam com a afrodescendência. Além disso, ele foi militante e diretor do Ilê Aiyê, movimento negro pelo qual era apaixonado e atuava diuturnamente."
"Não tive a honra e a oportunidade do convívio com Jonatas. Fiquei impressionada e orgulhosa por suas obras e pela sua abnegação quando o tema era negritude. Portanto, diante da sua prematura partida, deixo ao seu filho Kayodê, sua esposa Maria Luiza Passos, familiares e militantes do movimento negro, o nosso desejo de conforto espiritual e a certeza de que as obras deixadas por Jonatas servirão de exemplo para que gerações futuras possam usufruir de uma fonte inesgotável de sabedoria e luta libertária em favor do povo negro", conclui Marizete.
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