Percorrer o Rio São Francisco de barco, de Carinhanha (fronteira de Minas Gerais) a Juazeiro, parando nas principais cidades para discutir com as comunidades ribeirinhas e realizar audiências públicas. E gravar tudo em vídeo para que, no final, seja produzido um documentário sobre a viagem. O projeto, elaborado pelo deputado Pedro Alcântara (PR), foi apresentado ontem na sessão da Comissão Especial do Rio São Francisco e recebido com entusiasmo pelos integrantes do colegiado.
"Vamos passar por cerca de 25 cidades e, nas principais, vamos realizar audiências públicas para discutir temas como o assoreamento e navegabilidade do rio, a recuperação de matas ciliares, enfim, a saúde do São Francisco", observou Alcântara. A idéia é que toda a visita seja registrada em vídeo para que, ao final, seja produzido um documentário. Para tanto, os integrantes da comissão já convidaram o Canal Assembleia, o Comitê de Imprensa da AL e esperam estabelecer parcerias com a TV Cultura e TV São Francisco, filiadas da Rede Bahia.
Segundo o presidente da comissão, deputado Elmar Nascimento (PR), na sessão da próxima semana os deputados já estarão com o projeto em mãos e vão discutir o cronograma e detalhes do empreendimento. "Vamos convidar representantes da Igreja Católica, Ministério Público e de algumas organizações não-governamentais para participar da viagem", explicou Elmar. A idéia dos parlamentares é sair de Carinhanha a bordo da barca Nina, no dia 29 de junho e chegar em Juazeiro em 15 de julho, quando acontece a festa da padroeira da cidade, Nossa Senhora de Brotas.
Alcântara destaca que o projeto é bastante factível, já que o orçamento previsto é baixo: R$35 mil. "Vamos buscar o apoio da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa e também patrocínios para realizar o projeto", afirmou. O documentário que será produzido, acrescenta Alcântara, servirá como um alerta para a situação do rio, que na avaliação do deputado deveria ser revitalizado antes da transposição realizada pelo governo federal.
"Nós só temos órgãos federais que têm uma ação predatória com o Rio. A Codesvasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco) retira água para irrigação de agricultura e existe a Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco). "Esses órgãos fazem um trabalho importante, mas é necessário termos uma entidade também que cuide da saúde do rio", disse ele. Para o deputado Misael Neto (DEM), são grandes as possibilidades da embarcação ter dificuldades de navegação, mas ressaltou que isso pode ser até positivo para alertar sobre o assoreamento do rio.
REDES SOCIAIS