A transferência da Superintendência Regional da Infraero na Bahia para Pernambuco ainda não foi aceita pelos membros da Comissão de Infra-estrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo da Assembleia Legislativa. Mesmos depois da explanação de Eduardo Xavier Ballarin, assessor da presidência da Infraero, que compareceu à comissão e revelou o caráter estreitamente técnico da mudança, o colegiado formará uma comitiva composta por parlamentares estaduais e federais, pelos três senadores baianos e irá a Brasília para um encontro com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e, se necessário, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, buscando maiores explicações sobre o fato.
Além dessa viagem (com data ainda a confirmar), a comissão promoverá, no dia 14 de maio, às 14h, uma sessão especial com representantes de sindicatos que atuem na área, com o ex-presidente da Infraero Sérgio Gaudenzi e com membros da atual gestão da empresa. "Na decisão dessa transferência faltou ouvir a sociedade. A mídia afirma que haverá perda de receita e de investimentos, precisamos saber o que vai acontecer de verdade", enfatizou o presidente do colegiado, o deputado Ivo de Assis (PR), que, em nome da comissão, encaminhou no dia 24 de março uma moção de repúdio aos órgãos e entes federais que abarcam esta questão. Já a vice-presidente do colegiado, deputada Ângela Sousa (PSC), destacou importância da viagem a Brasília: "Precisamos sair dos discursos e entender o que aconteceu".
EXPLICAÇÕES TÉCNICAS
"O Aeroporto Luís Eduardo Magalhães não será subordinado à Superintendência de Recife, ele continuará ligado à sede da Infraero em Brasília", afirmou Antônio Nogueira Santos, superintende da Infraero em Salvador, defendendo inclusive que esta mudança não acarretará perda de investimento neste ano, nem nas ações planejadas para os próximos. Segundo Eduardo Ballarin, a empresa está passando por um novo modelo de gestão que visa a uma maior racionalização administrativa, por isso a proposta de reduzir a quantidade de superintendências regionais de oito para quatro foi acatada. "A alta administração da Infraero acredita estar assim contribuindo para o fortalecimento de um política de excelência operacional voltada aos seus clientes, em consonância com a missão da empresa", frisou Ballarin.
Solange Farias, diretora do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (SINA), seção Bahia, questionou em que momento o capital humano foi ouvido e será preservado. "O sindicato não foi chamado para saber o que vai acontecer com os 315 empregados. Recebi denúncias que o último contracheque de alguns funcionários veio zerado nos mês de março".
DESPRESTÍGIO
"Essa é uma discussão política, o estado mais importante do Nordeste passa a ter importância secundarizada", salientou o deputado petista Paulo Rangel. Já o parlamentar Pedro Alcântara (PR) lamentou o esvaziamento do estado em relação a órgãos de abrangência federal: "A Bahia não aceita isso, e essa é uma posição do parlamento baiano". Para Ivo de Assis, "estamos sendo desprestigiados e temos que priorizar a Bahia".
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