Em audiência na Comissão de Direitos Humanos, ontem, José Magalhães anunciou que há cerca de dez dias pediu sua exoneração do cargo de delegado da Polícia Civil. Nomeado pelo governo do Estado para reduzir a criminalidade na Ilha de Itaparica, o delegado afirmou que não está recebendo o tratamento que merece do governo e apontou falhas na política de segurança pública. Na mesma audiência, os deputados aprovaram a convocação do secretário de Segurança Pública, César Nunes, com apenas um voto contra – o do deputado Álvaro Gomes (PC do B), vice-presidente do colegiado.
De início, os parlamentares queriam convidar mais um vez o secretário para comparecer a audiência na comissão. Mas os deputados Capitão Tadeu (PSB) e Gildásio Penedo (DEM) argumentaram que ele já tinha sido convidado outras vezes e não compareceu. Por isso, acrescentaram os parlamentares, a convocação era necessária. A convocação foi aprovada e o secretário será informado de que tem um prazo de 30 dias para comparecer à comissão. Voto vencido, Álvaro Gomes considerou a convocação equivocada e desnecessária. Para ele, a questão precisa ser tratada com tranquilidade e seriedade.
Já para o deputado Gaban (DEM), primeiro a propor a vinda do secretário na sessão de ontem, a audiência é necessária por conta do grande número de homicídios em Salvador e região metropolitana. Segundo ele, foram 452 assassinatos em 82 dias. "Isto é uma guerra na Bahia", argumentou ele. O deputado Capitão Tadeu foi ainda mais rigoroso em sua avaliação: "Eu já afirmei aqui que a segurança pública na Bahia tinha acabado e fui muito criticado. Mas os números da violência mostram isso".
CRIMINALIDADE
Gidásio Penedo observou que enquanto os números da criminalidade aumentam, os recursos destinados pelo governo do Estado à área de segurança pública vêm sendo reduzidos ano a ano. "Este é infelizmente o retrato da política de segurança pública". Álvaro Gomes tem opinião contrária. Para ele, só se combate a violência com uma política de justiça social. "Vamos combater os bandidos, mas que bandidos? Por que não começamos por aqueles que são intocáveis no alto da sociedade?", argumentou. Na avaliação de Álvaro, é mais importante investir em educação e inclusão social do que no aparato repressivo.
Em sua explanação, o delegado José Magalhães disse acreditar que alguma coisa está errada com as autoridades da Bahia. "Um delegado tem que acompanhar as prisões e o que for preciso, e não ficar sentado numa delegacia. Por isso afirmo que as mulheres delegadas devem trabalhar em delegacias da mulher e do idoso, pois é mais honesta que o homem, mas não tem força física para enfrentar um criminoso", afirmou ele na audiência.
E anunciou que pediu sua "exoneração do cargo de delegado da Polícia Civil". "Estou saindo e não volto, pois prefiro pagar para trabalhar. Minha exoneração é em consequência da situação que a segurança pública chegou na Bahia", afirmou. Segundo o delegado, hoje ele já ingressa com sua licença-prêmio, que seria de um ano e dois meses e depois se aposenta. "Lamento deixar a polícia assim, mas tudo tem um fim", afirmou ele.
"Eu ainda teria uns oito anos de polícia pela frente, mas estou decepcionado. Tenho uma história na Bahia. Fui três vezes à Secretaria de Segurança Pública e não consegui ser atendido pelo secretário César Nunes. Ele está sempre ocupado", acrescentou, reclamando do tratamento dispensado a ele pelo governo baiano.
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