O sociólogo Gey Espinheira, falecido aos 62 anos no último dia 17, continua recebendo homenagens póstumas na Assembleia Legislativa. Desta vez, o Partido dos Trabalhadores, através do líder governista Waldenor Pereira e do deputado Isaac Cunha, apresentou moções de pesar que relembram a história de vida e sucesso do intelectual baiano. Nascido Carlos Geraldo D’Andrea Espinheira, o professor ficou conhecido nacionalmente como Gey Espinheira e, dentre suas inquietações como sociólogo, estavam os estudos sobre cidadania, juventude, democracia, direitos humanos, educação e violência, que o transformaram "em um combatente dos males da civilização moderna", como ressalta Waldenor Pereira.
Nascido em Poções, Gey Espinheira se destacou como intelectual a partir da militância pelos direitos humanos. Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia, tinha mestrado em Ciências Sociais e doutorado em Sociologia pela Universidade de São Paulo . Era pesquisador do Centro de Recursos Humanos e professor adjunto da Universidade Federal da Bahia. Líder do Grupo de Pesquisa do CNPq Cultura, cidade e democracia: sociabilidade, representações e movimentos sociais urbanos, escreveu livros e artigos. O romance Relógio da Torre foi vencedor no Concurso Literário Bahia de Todas as Letras da Universidade Estadual de Santa Cruz. No ano passado publicou Metodologia e prática do trabalho em comunidade e Sociedade do Medo: teoria e método da análise sociológica em bairros populares de Salvador. Nos últimos meses, Gey atuou, também, como consultor do Planejamento Estratégico Participativo de Ação do Centro de Formação do Projeto Axé.
E foi precisamente na condição de intelectual e pensador que Gey Espinheira recebeu as homenagens de Isaac Cunha. Lançando mão da poesia, Cunha reverenciou a imortalidade do sociólogo democrata através de Tupak Katari, "herói do povo boliviano", autor do verso: A mim vocês só podem matar, mas eu voltarei, e seremos milhões, e de Fernando Pessoa: Não sei quantas almas tenho/ Cada momento mudei/ Continuamente me estranho/ Nunca me vi nem achei/ De tanto ser, só tenho alma.
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