O falecimento do sociólogo baiano Carlos Geraldo D’Andrea Espinheira, ocorrido no último dia 17, causou grande consternação e tristeza na Assembleia Legislativa. Aos 62 anos, Gey Espinheira, como era conhecido, morreu de câncer de esôfago, depois de 10 dias de internação no Hospital da Bahia, deixando a esposa, Ita Marina Espinheira, quatro filhos e um neto. Por essa perda, deputados prestaram homenagem ao professor, pesquisador e escritor, através de moções de pesar. As moções foram apresentadas pelos deputados Álvaro Gomes (PCdoB), Heraldo Rocha (DEM), Arthur Maia (PMDB) e pelos deputados que fazem parte da bancada do PT, representada pelo líder Paulo Rangel.
Nascido em Poções, Gey Espinheira graduou-se em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (1970), mesma instituição na qual fez o mestrado também em Ciências Sociais, cinco anos depois. O doutorado em Sociologia foi concluído em 1997, na Universidade de São Paulo. A partir de 1980, trabalhou como professor da Ufba, desenvolvendo atividades de pesquisa com ênfase em Sociologia da Saúde, atuando, principalmente, nos seguintes temas: direitos humanos, violência, democracia, cidadania e educação. Como diretor de Estudos e Pesquisas do Iapaz – Instituto de Estudos e Ação pela Paz com Justiça Social, dignificou o trabalho da associação e contribuiu para as discussões em torno da "paz com justiça social" ao participar, como representante do instituto, dos Fóruns Sociais das Américas realizados em Caracas, Quito e Guatemala, e no Fórum Social Mundial de Nairobi, nos quais ministrou importantes oficinas. Foi pesquisador do Centro de Recursos Humanos, professor adjunto da Ufba e líder do Grupo de Pesquisa Cultura, Cidade e Democracia: sociabilidade, representações e movimentos sociais urbanos. Além de ter atuado como consultor do Centro de Formação do Projeto Axé.
Na literatura, publicou diversos artigos e livros, sendo o mais recente Os limites do indivíduo: mal-estar na racionalidade, os limites do indivíduo na medicina e na religião, pela Fundação Pedro Calmon, Centro de Memória e Arquivo Público da Bahia, 2005. Com o romance Relógio da Torre foi o vencedor no gênero na 2a Edição do Concurso Literário Bahia de Todas as Letras da Editora – Editus – da Universidade Estadual de Santa Cruz-BA. Em 2008, pela editora da Ufba – Edufba – publicou Metodologia e prática do trabalho em comunidade e Sociedade do Medo: teoria e método da análise sociológica em bairros populares de Salvador: juventude, pobreza e violência.
ELOGIOS
Segundo o deputado Álvaro Gomes (PCdoB), o professor, escritor e pesquisador sempre se destacou pela atuação militante, razão por que sua vida se confunde com a história das lutas populares na Bahia em defesa dos direitos humanos e por uma melhor qualidade de vida para o povo baiano. "O falecimento de Gey Espinheira representa uma perda significativa para o meio acadêmico e, principalmente, para toda a sociedade, pois era uma pessoa extraordinária e rara, essencial para a transformação social. Como intelectual, extrapolou os muros da academia e colocou todo o seu conhecimento, sabedoria e dedicação a serviço da construção de uma sociedade mais justa", ressalta o deputado, que lembra que nem mesmo durante o período em que lutou contra a doença, Gey Espinheira interrompeu seus trabalhos, persistindo no exercício das atividades com o mesmo empenho profissional até os últimos momentos de sua vida.
Além do líder da bancada petista, deputado Paulo Rangel, assinaram a moção o presidente da Comissão da Promoção da Igualdade, deputados Bira Corôa, J. Carlos, Fátima Nunes, Professor Valdeci, o líder do governo, Waldenor Pereira, a presidente da Comissão de Direitos da Mulher, Neusa Cadore, Yulo Oiticica, Isaac Cunha e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Zé Neto, que lembram do mais recente artigo do sociólogo – Os limites do indivíduo: mal-estar na racionalidade, os limites do indivíduo na medicina e na religião e classificam este como um momento de tristeza. "Com certeza, ele deixará muita saudade, por isso abraçamos a sua família e rendemos as nossas homenagens a Gey Espinheira", ressaltam os deputados, que pedem que a moção seja comunicada à viúva, filhos e a toda a família do sociólogo.
Em sua moção, Heraldo Rocha (DEM) afirma que a morte física de Gey Espinheira causa, a todos que tiveram o prazer em compartilhar de sua prestigiosa presença, a certeza em saber que esse ilustre baiano deixou para todos os seus familiares e amigos o exemplo de um homem honrado, honesto, de caráter, esposo dedicado, pai provedor, avô carinhoso e amoroso, amigo, companheiro leal e conselheiro. É sua força, seu entusiasmo, seu profissionalismo e sua obra literária que ficam na memória. "É com muito orgulho e satisfação que presto esse tributo à memória de tão ilustre e benemérito ser humano", salienta o deputado, que ainda completa: "Esta moção consolida a homenagem ao já saudoso Espinheira, estendendo-se também aos seus familiares que, certamente, haverão de dar plena continuidade ao seu legado e à bela lição de vida desse grande homem que primou pela dedicação ao trabalho em prol da valorização e da garantia dos direitos humanos."
Na opinião de Arthur Maia (PMDB), Gey Espinheira era um homem reservado, de personalidade pacata e de uma inteligência rara. Para ele, o professor era uma das maiores autoridades em sociologia do Brasil na atualidade, que nasceu para trabalhar em favor da sociedade. "Seu vasto e rico currículo expõe de forma indubitável sua vocação para os estudos voltados ao ser humano e o meio onde vive. Sua pesquisa tinha como única intenção a apresentação de resoluções para os problemas que atingem a nossa sociedade, principalmente a baiana. Sua fidelidade e devoção à Universidade Federal da Bahia eram dignas dos nossos mais calorosos aplausos e admiração", lembra com saudade o parlamentar, que acredita que o legado de Gey Espinharam ficará para sempre auxiliando alunos, pesquisadores, que utilizarão as suas experiências pioneiras para outras tantas produções futuras. "Gey Espinheira, agora, estará na galeria dos grandes baianos, como Milton Santos, Rui Barbosa, Jorge Amado, Dorival Caymmi e outros tantos que consolidaram suas obras ao longo dos anos, sem que jamais perdessem sua validade e sua importância", concluiu.
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