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Assembleia concede Comenda 2 de Julho ao poeta e jornalista Florisvaldo Mattos

Publicado em: 08/06/2026 16:07
Editoria: Notícia

O deputado Adolfo Menezes apresentou o projeto que concede a Comenda 2 de Julho ao jornalista e escritor Florisvaldo Mattos
Foto: Ascom/AgênciaALBA
A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) outorga, na próxima quinta-feira (11), às 10h, no Plenário Orlando Spínola, a Comenda 2 de Julho ao jornalista, escritor, professor e poeta Florisvaldo Mattos, em proposição assinada pelo deputado Adolfo Menezes (PSD) e aprovada por unanimidade pelos demais 62 parlamentares da Casa. Além da homenagem, Florisvaldo também lançará, pelo selo ALBA Cultural, a reedição de “Mares Anoitecidos”, livro de poemas ambientado no período da invasão holandesa à Bahia, entre 1624 e 1625, com prefácio do escritor Alexei Bueno.

“É uma imensa honra quase me despedir da Assembleia Legislativa da Bahia com esta homenagem ao poeta Florisvaldo Mattos, que, aos 94 anos, continua o seu grande mister literário, último remanescente do período mais efervescente da cultura e do jornalismo da Bahia, com nomes como Jorge e James Amado, Glauber Rocha, Adonias Filho, Zélia Gattai, Sante Scaldaferri, Paulo Gil Soares, Carybé, Myriam Fraga, Calazans Neto, Jeová de Carvalho, Jorge Medauar e tantos outros”, destacou Menezes ao justificar a honraria.

Florisvaldo Moreira de Mattos nasceu em 8 de abril de 1932, em Uruçuca — anteriormente Água Preta, distrito de Ilhéus —, na região cacaueira do sul da Bahia, filho do comerciante e agricultor Oscar Moreira da Matos e de Gertrudes Ferreira de Freitas. É casado há 43 anos com Vera Pessoa de Mattos. Tem três filhos — Elzinha, Mauro e Joana — e os netos Guilherme, Beatriz, Anaís, Marina, Benjamin e Bernardo.

Em 1958, formou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba), ingressando nesse mesmo ano no jornalismo, profissão que exerceu ativamente até 2011. Colaborou com o Jornal da Bahia e atuou também no Diário de Notícias, integrante dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, exercendo as funções de repórter, redator e colunista.

Pela mesma Ufba, fez mestrado em Ciências Sociais, ingressando na instituição como professor em 1962, onde exerceu o magistério superior até 1994. Fez especialização em Jornalismo e Documentação pela Escuela Superior de Periodismo, em Madri.

Foi mestre de inúmeros profissionais e companheiros de jornadas nas redações baianas, a exemplo de Emiliano José, Sérgio Emmanuel, Jorge Calmon, João Carlos Teixeira Gomes, Carlos Libório, Paolo Marconi, Fernando Vita, Tasso Franco, Bob Fernandes, Zé Cerqueira Filho, Elieser Cesar, Carlos Navarro, Adilson Borges, Paulo Bina, Nice Melo, Suzana Varjão, Alberto Freitas, Rogaciano Medeiros, Gilmar Medeiros, Socorro Araújo, Carla Copello, Adalberto Meireles, Washington Souza Filho, Anaiçara Póvoas, Eduardo Cruz, Rosane Santana, Chico Ribeiro Neto, Isabel Santos, Gorette Brandão, Carlos Ribas, Suely Temporal, Cris Barude, Paulo Renan, Casemiro Neto, José Américo, Ana Lúcia Xarutto, Doris Pinheiro, Anna Valéria, Solange Galvão, Patrícia França, Nádya Risocelly, Jeane Borges, entre tantos outros e outras.

CINEMA E ACADEMIA

Ao lado de Glauber Rocha, Mattos integrou a Geração Mapa, movimento iniciado no Colégio Central da Bahia, com João Carlos Teixeira Gomes, Fernando Peres, Paulo Gil Soares, Calazans Neto, Sante Scaldaferri, João Ubaldo Ribeiro, Sônia Coutinho e David Salles, que marcou definitivamente o Cinema Novo, de Glauber, e a Tropicália, de Gil e Caetano.

Membro da Academia de Letras da Bahia, eleito em 28 de dezembro de 1994, tomou posse em 26 de novembro de 1995 na Cadeira 31, sendo saudado pelo jornalista e escritor João Carlos Teixeira Gomes, o Joca, conhecido como “Pena de Aço”. Em 1996, a União Brasileira de Escritores concedeu-lhe o Prêmio Ribeiro Couto de Poesia, pelo livro “A Caligrafia do Soluço e Poesia Anterior”.

Ao longo de sua carreira literária, publicou diversas obras, entre elas Reverdor (1965), Fábula Civil (1975), Dois Poemas para Glauber Rocha (1985), A Caligrafia do Soluço & Poesia Anterior (1996), Estação de Prosa & Diversos (1997), A Comunicação Social na Revolução dos Alfaiates (1998), Mares Anoitecidos (2000), Galope Amarelo & Outros Poemas (2001) e Travessia do Oásis – A Sensualidade na Poesia de Sosígenes Costa (2004). Sua produção seguiu com Poesia Reunida & Inéditos (2011), Sonetos Elementais – Uma Antologia (2012), Estuário dos Dias & Outros Poemas (2016), Antologia Poética & Inéditos (2017), Tertúlia Democrática (2019), Cacaueiros – Poesia. Conto. Teatro (2022), Academia dos Rebeldes & Outros Exercícios Redacionais (2023), Catorze Janelas Abertas: Sonetos Reunidos, com Inéditos (1953-2023) (2024) e Ponteio com Tercetos Sensoriais (2026).

Reportagem: Ascom
Edição: Divo Araújo 


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