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ONG 'Tamo Juntas' é homenageada na ALBA pelo combate à violência contra a mulher

Publicado em: 26/05/2026 15:34
Editoria: Notícia

Representantes da ONG Tamo Juntas, parlamentares e secretárias estaduais participaram de ato na ALBA
Foto: Ascom/AgênciaALBA
Na manhã desta terça-feira (26), a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) foi palco de um encontro marcado pela emoção, memória e reafirmação política. A Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Serviço Público realizou um ato de celebração em homenagem aos 10 anos da ONG Tamo Juntas, organização baiana que se tornou referência nacional na prestação de assessoria multidisciplinar gratuita para mulheres em situação de violência. O evento foi convocado a pedido da presidente do colegiado, deputada Olívia Santana (PCdoB).

Para demarcar essa década de resistência e solidariedade, a mesa do ato reuniu lideranças políticas, fundadoras e profissionais que constroem a rede de apoio da organização. Além da proponente do ato, estiveram presentes Laina Crisóstomo, fundadora da ONG Tamo Juntas; Rose Oliveira, atual presidente da ONG; Aline Cerqueira, primeira assistente social a atuar na organização; Camilla Batista, secretária de Políticas para as Mulheres da Bahia (SPM-BA); Ângela Guimarães, secretária de Promoção da Igualdade Racial da Bahia (Sepromi); e Luz Marina, ex-diretora do Conjunto Penal Feminino de Salvador.

O evento foi pautado por discursos que uniram a urgência do enfrentamento à violência de gênero à necessidade de uma atuação política interseccional.

Olívia Santana abriu as falas destacando a essência transformadora da organização. Ela ressaltou que a força da Tamo Juntas não vem de grandes estruturas econômicas, mas dos laços de companheirismo, solidariedade e consciência política. “A violência contra a mulher é entrelaçada por gênero, raça e classe social. Nós temos que sempre abordar essa questão com uma visão integrada das opressões, a interseccionalidade, que é fundamental para garantirmos uma perspectiva de superação”, pontuou a deputada.

Visivelmente emocionada, Laina Crisóstomo, fundadora da ONG, relembrou a trajetória desde as idas aos presídios até a atuação complexa no Tribunal do Júri, espaço que, segundo ela, ainda gera inseguranças e pânico, mas que precisa ser ocupado. Laina reforçou o lema que move a organização. “Algo nesses 10 anos não mudou: a certeza de que o feminismo salva vidas e a luta feminista vale a pena. A gente não pode desistir do acolhimento e da luta coletiva, porque, se a gente não segura nas mãos das outras, estamos fadadas a ficar mais vulneráveis”.

Esse senso de coletividade foi endossado por Rose Oliveira, atual presidente, que conheceu a ONG ainda na faculdade, em 2016, e fez do tema o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Rose destacou a dificuldade diária de romper os ciclos de violência, lembrando que a organização atua também por si mesma, visto que as próprias voluntárias estão inseridas em uma sociedade misógina. Na mesma linha, Aline Cerqueira, primeira assistente social do projeto, expressou gratidão e lembrou o quanto o trabalho diário de enfrentamento é “pesado e nos torna vulneráveis”, mas ressaltou a importância da rede de profissionais para sustentar os atendimentos.

Representando o Poder Executivo, as secretárias de Estado trouxeram a perspectiva sistêmica e institucional. Camilla Batista (SPM-BA) elogiou a humanização e a capacidade técnica da ONG, destacando a hostilidade do sistema de Justiça institucional e as violências políticas de gênero enfrentadas inclusive por advogadas.

Já Ângela Guimarães (Sepromi) fez um resgate político contundente. Ela classificou a Tamo Juntas como um marco histórico para jovens mulheres, em sua maioria negras. Ângela relembrou o ambiente de 2016, ano de fundação da ONG e do impeachment da então presidenta Dilma Rousseff. “Era este ambiente de misoginia, de perseguição política. Não existe neutralidade institucional. Faço uma reverência em nome de toda a coletividade da Tamo Juntas, porque sabemos que a violência contra as mulheres é algo que, infelizmente, ainda está normalizado na nossa sociedade”.

TRAJETÓRIA DA ONG

Para entender a celebração de hoje, é preciso olhar para o ano de 2016. A Tamo Juntas nasceu em maio daquele ano, em Salvador, como uma organização não governamental feminista, antirracista, anticapitalista e anti-LGBTQIA+fóbica.

Sua semente, no entanto, foi plantada em 8 de abril de 2016, por meio de uma publicação de Laina Crisóstomo no Facebook, aderindo à campanha “Mais amor entre nós”, idealizada pela jornalista baiana Sueide Kintê. Laina se ofereceu para atuar gratuitamente como advogada, uma vez por mês, para mulheres em situação de violência. A repercussão foi imediata: milhares de curtidas, compartilhamentos e, sobretudo, pedidos desesperados de socorro.

Logo, as advogadas Aline Nascimento e Carolina Rola uniram-se a Laina. Em apenas um mês, a página oficial foi criada e o projeto se expandiu exponencialmente, ganhando projeção nacional após atuar no debate público sobre o caso do estupro coletivo de uma adolescente no Rio de Janeiro.

Hoje, 10 anos depois, a Tamo Juntas é uma rede formada por advogadas, assistentes sociais, psicólogas, pedagogas, médicas e dentistas espalhadas por todas as regiões do Brasil. O foco da organização é evitar a revitimização das mulheres, acompanhando-as desde o registro do boletim de ocorrência nas delegacias até pedidos de medidas protetivas, atuação em Varas de Família e assistência de acusação em casos de violência sexual e júris de feminicídio. Além do sistema judiciário, a ONG garante encaminhamento psicológico e articulação com a rede de assistência social, visando à plena retomada da vida e da dignidade dessas mulheres após o ciclo de violência.


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