MÍDIA CENTER

Deputados saúdam Dia da Mulher

Publicado em: 09/03/2009 00:00
Editoria: Diário Oficial

Valdeci Oliveira destacou avanços
Foto:

A passagem do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, vem mobilizando a Assembléia Legislativa da Bahia. Depois da sessão especial, realizada na quinta-feira, que reuniu autoridades e representações femininas de todo o estado, seis deputados apresentaram moções de congratulações pela data, que remete ao dia em que operárias de uma fábrica de tecidos de Nova Iorque, em 1857, morreram carbonizadas em um incêndio criminoso. Elas ficaram presas dentro da fábrica após entrar em greve para reivindicar melhorias no ambiente de trabalho.
As moções foram apresentadas pelos deputados Valdeci Oliveira (PT), Ângela Sousa (PSC), Ivo de Assis (PR), Getúlio Ubiratan (PMN), Sérgio Passos (PSDB) e Maria Luiza Carneiro (PMDB). Em todas elas, os parlamentares lembraram a origem da data: a morte de mais de uma centena de tecelãs carbonizadas, fato que ficou marcado na história da luta da mulher por direitos iguais. Entretanto, somente no ano de 1975 a data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional da Mulher.
Em sua moção, o deputado Valdeci Oliveira lembrou que, apesar dos avanços, as mulheres ainda são alvo de preconceito e submetidas a tratamentos desiguais, como salários inferiores aos dos homens, jornadas excessivas de trabalho, violência masculina e uma série de desvantagens. "Embora muito já tenha sido conquistado, ainda há muito para se alcançar e modificar até que todas as mulheres tenham seu valor reconhecido e usufruam de todas as garantias e avanços legais que ocorreram desde 1857, naquela fábrica em Nova Iorque".
Já a deputada Ângela Sousa lembrou que um dos maiores desafios das mulheres é aumentar a participação política. "As mulheres ainda não conquistaram o devido espaço na política. Uma prova cabal disso é que são apenas nove deputadas (na Assembléia Legislativa da Bahia) em uma Legislatura de 63 parlamentares, mesmo depois de terem adquirido o direito de votar e serem eleitas para cargos no Executivo e Legislativo, em 24 de fevereiro de 1932", observou Ângela no documento.
Outra deputada a se manifestar, Maria Luiza Carneiro observou que, em um país onde a cada 15 segundos uma mulher é vítima de violência, torna-se extremamente necessário o estímulo ao desenvolvimento de programas de geração de renda e de assistência social. "Da mesma forma", acrescentou ela, "o estímulo a programas de apoio também deve ser exaltado, principalmente para aquelas mulheres que se encontram em situação de violência ou que sejam portadoras de doenças, em especial do vírus HIV".
Para Ivo de Assis, um dos principais problemas enfrentados pelas mulheres no Brasil é a discriminação no mercado de trabalho. "Na grande maioria das empresas é notável que 80% das pessoas que nelas trabalham são mulheres. Contudo, infelizmente, apenas 10% dessas ocupam cargos de chefia. Mas este quadro tende a mudar, na medida em que a mulher vem se qualificando cada dia mais e conquistando novos espaços antes ocupados apenas por homens." Ele lembrou ainda que a expectativa é que neste século, pela primeira vez na história, as mulheres superem em número os homens nos postos de trabalho. "Este fato vai significar o rompimento de uma hierarquia moldada pelos homens", acredita.
Na avaliação de Getúlio Ubiratan, muito já foi conquistado, mas ainda há grandes desafios a serem enfrentados. Na moção apresentada na AL, ele citou como exemplos "a divisão de tarefas domésticas, o salário diferenciado entre homens e mulheres, a violência doméstica, que deve ser combatida com políticas públicas adequadas, o silêncio diante da violência contra meninas, adolescentes e idosas e a sutil discriminação racial, principalmente das mulheres negras, que recebem 40% a menos que as mulheres brancas por trabalho igual".
Por fim, Sérgio Passos lembrou que ocorrem 4 milhões de abortos por ano no mundo. "Desse total", observou ele no documento, "10% das mulheres que o fazem morrem em consequência das precárias condições nas quais os mesmos são realizados". E acrescentou que a cada 4 minutos uma mulher é vitima de algum tipo de agressão em distintas classes sociais. "São fatos como esses que fazem desse dia um dia de luta, para que a diferença biológica que distingue um homem de uma mulher não seja justificativa para a intolerância, a opressão, a desigualdade de direitos e diferentes formas de violência a que as mulheres são submetidas", concluiu.



Compartilhar: