Cerca de 200 personalidades foram ontem à Associação Comercial da Bahia para o lançamento do livro Cayru – e o Liberalismo Econômico, co-editado pela Assembléia Legislativa e aquela instituição. Trata-se de um trabalho do professor e filósofo Antonio Paim editado inicialmente em 1968, um marco e leitura de referência para o estudo da obra desse autor prolixo e agente político atuante nas primeiras décadas do século XVIII.
Para o presidente do Legislativo, deputado Marcelo Nilo, esta primeira parceria editorial inicia um processo de aproximação das duas instituições que só renderá frutos positivos para a Bahia e os baianos. Ele lembrou que a sugestão para publicação do livro sobre a obra do Visconde de Cayru, José da Silva Lisboa, foi feita pelo presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Manuel Castro, que é um estudioso da ciência econômica.
LIBERALISMO
A solenidade começou pontualmente às 17h com a fala do autor, que situou o trabalho de Cayru no contexto de seu tempo. Homem de letras, ele estudou, divulgou e propagou as idéias norteadoras do liberalismo econômico e, mais do que isso, traduziu e divulgou no Brasil as idéias modernas de seu tempo na Europa, contribuindo de maneira extraordinária para alavancar o debate das idéias no Brasil colônia. Lembrou o trabalho de outros pesquisadores e cientistas como Cândido Mendes ainda no século XIX – que sistematizaram e analisaram a vasta obra do Visconde em trabalhos clássicos.
O presidente da Associação Comercial, Eduardo Morais de Castro, agradeceu ao Legislativo a publicação daquela obra seminal que "trouxe mais uma vez à sua terra o professor Antonio Paim, um cidadão com vasta folha de serviços prestados à Bahia e ao Brasil". Ele lembrou que a Associação completa dentro de dois anos e meio 200 anos de funcionamento ininterrupto, sendo a mais antiga do Brasil, das Américas e até da Península Ibérica.
Elogiou a política editorial do Legislativo, que "preserva a história da nossa gente e da nossa terra" e manifestou a sua satisfação pelo resgate das idéias de Cayru acontecer ainda no âmbito das comemorações dos 200 anos da abertura dos portos brasileiros às nações amigas. O conselheiro Manuel Castro também fez um breve pronunciamento de "apresentação" do autor às gerações mais jovens. Amigo fraterno, aluno e discípulo do professor e poeta, que conheceu em 1965.
PERFIL
Narrou a importância das idéias de Antonio Paim para o desenvolvimento da Bahia nos mais diversos campos. Da implantação do sistema ferry-boat à agricultura, passando por cargos como o de secretário de Indústria e Comércio do município, o magistério, o planejamento estratégico, a cultura e o treinamento de equipes de técnicos competentes que bem serviram ao estado ao longo dos anos – tanto no serviço público quanto na iniciativa privada.
O deputado Marcelo Nilo lembrou o cenário de crise econômica que assombra o mundo, onde o desaparecimento de riquezas é medido em trilhões de dólares e já deixou os bancos, instituições financeiras e bolsas para atingir a economia real, ceifando empregos, quebrando empresas, deteriorando as finanças públicas e colocando o mundo de joelhos diante dos efeitos deletérios da crise.
Manifestando o seu otimismo, disse que "não são bons os augúrios, mas nas crises que a inteligência se faz notar" e aí inseriu "a oportunidade de estudo das raízes do liberalismo privilegiando a dimensão ético-normativa dos ensinamentos da economia clássica inglesa (Adam Smith) – muito à frente do pensamento da metrópole, Portugal, e do Brasil colônia."
Também estiveram presentes ao lançamento do livro o conselheiro do TCE, Filemon Matos, o empresário Vítor Gradin, do conselho da Construtora Odebrecht, o engenheiro, homem público e escritor Paulo Segundo da Costa, o comandante do II Distrito Naval, vice-almirante Arnon Lima, o professor Edivaldo Boaventura, editor-chefe do jornal A Tarde, o escritor Antonio Risério, a doutora Maria Tereza Pacheco, o cônsul do Uruguai, José Carlos da Silva, Claudelino Miranda, empresários, diretores da Associação Comercial, acadêmicos, intelectuais e estudantes. Os trabalhos foram encerrados pouco antes das 20h, quando acabou a fila de autógrafos.
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