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Assembléia lança nesta terça-feira livro do professor Milton Santos

Publicado em: 19/01/2009 00:00
Editoria: Diário Oficial

O presidente Marcelo Nilo e o reitor da Ufba, Naomar Almeida, têm trabalhado em parceria
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A Assembléia Legislativa lança, terça-feira, às 11h, na Reitoria da Universidade Federal da Bahia, a segunda edição da obra seminal do geógrafo Milton Santos, O Centro da Cidade do Salvador. Trata-se da tese para doutorado em Geografia Humana na Faculdade de Letras da Universidade de Strasbourg, na França, que ele defendeu em 1958. Aprovado com menção de honra e felicitações da banca examinadora, o baiano Milton Santos, falecido em 2001, passou a integrar o panteão dos maiores cientistas de seu tempo, tendo conquistado o prêmio "Vautran Lud", o Prêmio Nobel da Geografia.
O Centro da Cidade do Salvador teve a sua primeira edição publicada um ano depois pela Universidade da Bahia, tendo o prefácio assinado pelo editor Pinto de Aguiar, da Livraria Progresso Editora. Na edição francesa, o prefácio foi de Pierre Monberg, diretor do Instituto de Altos Estudos da América Latina da Universidade de Paris – ambos reproduzidos no trabalho agora trazido a lume em regime de co-edição entre a Assembléia Legislativa e as editoras da Universidade Federal da Bahia e da Universidade de São Paulo, respectivamente, Edufba e Edusp.
"Trata-se de um estudo que lançou as bases da mudança sofrida pela Geografia nas últimas décadas do século passado, quando essa ciência deixou de ser apenas descritiva e passou a incorporar elementos humanos, a análise de movimentos populacionais, urbanismo e planejamento", registra o deputado Marcelo Nilo, presidente da Assembléia Legislativa. Engenheiro de profissão, ele estudou o trabalho que agora lançou numa parceria com a Ufba e a USP.

REFERÊNCIA

O assessor para assuntos de cunho cultural da Assembléia, Délio Pinheiro, geólogo e professor da Ufba durante quase 40 anos, utilizou O Centro da Cidade do Salvador durante os 10 anos que permaneceu ensinando no Mestrado de Geografia no Instituto de Geociências da universidade – onde Milton Santos foi professor. Para Délio, trata-se do mais importante estudo sobre o velho centro da capital baiana no cenário dos anos 50, permitindo a compreensão do processo de degradação da zona do Pelourinho com seus cortiços, todo o processo de evolução humana da cidade que saia de uma fase de estagnação econômica para o impulso ganho no pós-guerra, inclusive com o crescimento populacional gerado pela mudança progressiva da produção de riqueza – que gerou a transferência da população rural para as cidades em todo o mundo.
Délio Pinheiro lembra que o livro de Milton Santos é um documento inestimável, raro, que até agora só estava disponível em sebos (com alto custo) ou em precárias cópias xerográficas, embora ainda seja usado em salas de aula da graduação e pós-graduação. Afinal, como escreveu no prefácio à primeira edição Pinto de Aguiar, "é uma obra honesta, aguda e inteligente, dentro de uma metodologia larga e atual, marca-a, sobretudo, sendo, entretanto obra de pesquisa científica, seu sentido altamente pragmático, signo dos trabalhos dos cientistas sociais brasileiros de nossos dias, o que nos leva a afirmar que a Geografia deixou a amena literatura descritiva para transformar-se em ciência aplicada."



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