Nascida ainda no período ditatorial com o propósito de aproximar a juventude dos princípios da Igreja Católica, a Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Salvador comemora em 2008 seus 40 anos de existência. A data foi lembrada na Assembléia Legislativa da Bahia com a realização de uma sessão especial proposta pelo deputado Yulo Oiticica (PT) na última sexta-feira.
"São 40 anos de exercício e missão de orientação e de educação do jovem na fé, de estímulo à gestação de novas lideranças populares, de formação de agentes cônscios do seu papel social, atuantes nas paróquias e nos diversos segmentos sociais para os quais se sintam solicitados", disse Oiticica. Já o deputado Álvaro Gomes (PC do B) aproveitou para parabenizar a instituição, lembrando que ela contribui para que o jovem baiano trilhe o caminho da solidariedade e os valores que ajudam na construção de uma sociedade mais justa.
O fundador da Pastoral, padre Pedro Mathon, iniciou seu discurso ressaltando a importância da juventude e da necessidade de valorização dela. Ele lembrou que chegou à Bahia no ano de 1965 para ser professor e se deparou com uma realidade considerada por ele como preocupante: a distância entre os jovens e a Igreja. O religioso lembrou que, àquela época, na estrutura da Arquidiocese, já existiam movimentos ligados à juventude, mas que não tinham expressão.
BAIRROS
"Fui nomeado assessor eclesiástico para acompanhar estes movimentos. Este foi o principal elemento para a fundação dos primeiros grupos da PJ, já no ano de 1968", lembrou. Padre Mathon recorda que visitou dezenas de bairros de Salvador, principalmente três deles: Cosme de Farias, Plataforma e Pernambués.
"Fui perguntando aos jovens se eles trabalhavam. De vinte que questionei, apenas dois trabalhavam. Como solucionar este problema social? Esta era minha preocupação", disse, lembrando que a organização dos grupos se deu aos poucos. "Em 1970, dois anos depois, conseguimos reunir 132 pessoas em Itapuã". Segundo ele, a PJ contribui para a formação integral dos jovens, considerando sua relação com Deus, a sociedade e consigo mesmo e com sua disposição para a ação.
A secretária nacional da Pastoral da Juventude, Hildete Emanuele, lembrou que conheceu a PJ em 1996 na Concha Acústica do Teatro Castro Alves e que, a partir daí, passou a freqüentar o grupo JVC (Jovens Vivendo em Cristo). "O grupo de jovens é o que temos de mais precioso. Viver em grupo é experimentar a partilha e respeitar as diferenças", disse. E encerrou seu discurso cantando "O que é preciso para ser feliz? Viver como Jesus viveu e sonhar como Jesus sonhou".
"É muito bom e importante termos uma jovem formada aqui como representante da Secretaria Nacional da PJ", observou padre Lázaro Muniz, assessor eclesiástico da Pastoral da Juventude e representante da Arquidiocese. Ele lembrou que também chegou à Pastoral com 13 anos e a convivência foi determinante para sua formação. "Se existe alguma instituição que contribuiu de forma significante para a edificação de minha formação humana, esta organização se chama Pastoral da Juventude", disse.
Para Cláudia Santos, assessora da Pastoral da Juventude do Meio Popular e da Rede de Militantes Católicos, o mais importante da ação da PJ é constatar que o jovem está evangelizando seu meio. "A PJ é um grande mutirão onde construímos coletivamente nossos sonhos", disse ela, convidando todos para a comemoração dos 30 anos da PJMP, em Bom Jesus da Lapa, este mês. A sessão especial encerrou-se com todos de pé, orando o Pai Nosso.
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