Balbino Pacheco de Oliveira Júnior, conhecido como Pacheco Filho, morreu aos 82 anos por complicações cardiorrespiratórias, no dia 02 de dezembro. Consternada pelo falecimento do radialista, a deputada Marizete Pereira (PMDB) apresentou moção de pesar na Assembléia Legislativa.
Para a parlamentar, Pacheco Filho está intrinsecamente ligado à palavra dom. Na juventude descobriu que a sua voz poderia encantar e ganhar os corações de nós baianos por mais de 60 anos. Na década de 40, iniciou sua carreira radiofônica na Rádio Cultura, com o programa "Só Para Mulheres", inaugurando no rádio baiano novos conceitos, pois naquela época um programa apresentado por um homem e dirigido exclusivamente às mulheres causava impactos na sociedade. "Com voz firme e bem postada, com uma pronúncia irretocável e uma suavidade que ia além das ondas do rádio, Pacheco fez história em nossa querida Bahia", lembra a deputada.
Entre os anos de 1959 e 1962, devido ao sucesso do programa, Pacheco Filho resolveu aventurar-se na política, oportunidade em que se elegeu vereador. Após um único mandato, deixou a curta carreira política e voltou ao rádio, para a alegria dos ouvintes.
Segundo Marizete Pereira, Pacheco Filho era um dos maiores conhecedores de boleros, tangos, música popular brasileira e de filmes clássicos. "Ele era capaz de discorrer horas sobre estes assuntos e muitos outros. Sua memória era a mais viva lembrança do tempo romântico, onde as serestas e os versos ainda eram imprescindíveis para uma conquista amorosa", afirma.
Conforme a deputada, Pacheco tinha uma vida modesta, mas de muitos amigos. Tinha cadeira cativa na Piedade e em um shopping da cidade, locais em que recebia o carinho de seus ouvintes, encontrava e reencontrava seus amigos políticos, artistas, empresários e gente simples que adora "jogar conversa fora. Nas mesas de café, pessoas como Joselito Abreu, Luís Leal, Luís Pamponet, Eduardo Domingos, Jorge Medauar, Magno Burgos, Manoel "Bilheteiro", Ivo Dantas, Dermeval Belucci, Guerra Lima, Artur Gallo, Moreira, o inesquecível Vila Nova, e tantos que ali chegam para, ao entardecer, discutir as coisas da política, da cultura e da vida. Fora de qualquer dúvida - frase tantas vezes dita na roda – Pacheco era "quorum" qualificado nas sessões do Senadinho", salienta.
De acordo com a deputada, a melhor definição para Pacheco Filho foi a do jornalista Cláudio Leal ao publicar sua homenagem no site Bahia Já, do jornalista baiano Tasso Franco: "Uma delicadeza. Pacheco se definia por canções e filmes. Conhecia profundamente a música brasileira e o cancioneiro espanhol. Nos últimos dias, sobraçava uma cópia do filme "O corcunda de Notre-Dame". Nem a versão de Anthony Quinn, nem a de Lon Chaney. Preferia Charles Laughton, da RKO".
Pacheco Filho havia recebido, recentemente, uma nova oportunidade de presentear os baianos com seu talento, apresentando o programa "Almoçando com Pacheco Filho", aos sábados e domingos, na Rádio Metrópole.
"Assim, fica não apenas a saudade dos amigos e dos familiares, mas também a doce lembrança dos belos momentos que todos puderam desfrutar da amizade de Pacheco Filho, uma das grandes personalidades da nossa Bahia", afirma com saudade a parlamentar na moção a ser comunicada à família de Pacheco Filho, à Rádio Metrópole, aos Sindicatos dos Radialistas e dos Jornalistas e à imprensa baiana.
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