Cerca de 350 pessoas foram à livraria Tom do Saber, no Rio Vermelho, para o lançamento do livro "Assassinos da Liberdade", do jornalista João Carlos Teixeira Gomes, Joca, que contou com o apoio da Assembléia Legislativa, inserindo-se nas comemorações pelo transcurso do seu cinqüentenário de jornalismo. No dia 9, Teixeira Gomes será homenageado pela Academia de Letras da Bahia, sendo saudado pelo confrade acadêmico Samuel Celestino.
O lançamento se converteu numa festa de congraçamento que reuniu gerações de jornalistas profissionais baianos, além de escritores, professores, políticos, amigos e colaboradores de João Carlos Teixeira Gomes em sua longa trajetória profissional – que o levou à cátedra universitária, à atuação em assessoria governamental, chegando a assumir a coordenação de comunicação social na administração do governador Waldir Pires.
PRESENÇAS
Entre os amigos presentes no evento, o chefe de gabinete do governador Jaques Wagner (a quem representou), Fernando Schmidt, a deputada federal Lídice da Mata, o ex-governador Roberto Santos, o jornalista Samuel Celestino, presidente da Associação Bahiana de Imprensa, ABI, os conselheiros Filemon Mattos (de quem Joca foi auxiliar quando este exerceu a Secretaria de Governo, igualmente na gestão de Waldir Pires), e Fernando Vita, o ex-procurador-geral Antonio Guerra Lima, o ex-deputado Luiz Leal, o professor e acadêmico Fernando da Rocha Peres e o acadêmico Geraldo Machado, entre outras personalidades.
Com residência dividida entre o Rio de Janeiro e Salvador, João Carlos Teixeira Gomes recebeu homenagem do grupo de amigos fluminenses sob a forma de uma faixa – que foi exibida orgulhosamente pelo autor logo acima da bancada que usou para autografar (durante quatro horas) a obra agora lançada. O livro foi editado por Tamir Drummond, tendo o "luxuoso" acréscimo de ser prefaciado por Alberto Dines, a "orelha" escrita pelo jornalista da revista eletrônica Terra Magazine, Cláudio Leal, e a foto da contracapa foi feita por seu amigo dileto João Ubaldo Ribeiro.
Dos 50 anos de jornalismo de João Carlos Teixeira Gomes, 21 foram de militância em redação. No Jornal da Bahia, onde se iniciou, em 1958, como repórter, foi redator-chefe e editorialista. Sobre "Assassinos da Liberdade", ele disse que é "um chicote no lombo da tirania e continua a tradição de jornalismo que sempre fiz no jornal diário, na militância da vida". Representante do presidente da Casa, deputado Marcelo Nilo, no ato, o assessor para Assuntos Culturais da Assembléia, Délio Pinheiro, revelou a satisfação de inaugurar com esse livro um novo Selo do Legislativo.
Trata-se de uma nova coleção do programa editorial da AL, restrito a obras autorais inéditas, batizado como "Primeira Edição". Délio Pinheiro ressaltou que a coleção começa com "um livro importante como o Assassinos da Liberdade". Ele destacou a importância da publicação por relatar a opressão da liberdade não apenas na imprensa, mas em toda a sociedade.
Já o autor definiu sua obra como "um livro que perpassa desde a Guerra Civil Espanhola, passando pela Segunda Guerra Mundial até o movimento militar no Brasil em 1964. É um romance, um livro de ficção. Os personagens presentes no livro não devem ser confundidos com pessoas reais, sendo, enfim, um romance histórico que retrata esse longo período de opressão à humanidade".
João Carlos Teixeira Gomes chegou à livraria Tom do Saber pontual mente às 18h, onde já aguardavam cerca de 50 amigos. Portanto, iniciou imediatamente a "prazerosa" tarefa de autografar o seu mais recente livro. Só concluiu o trabalho às 22h, quando começaram a rarear as presenças.
Feliz em rever os amigos, entabulou conversa a cada reencontro e disse que o livro não foi fruto apenas de inspiração, mas de estudo e reflexão política: "Vivi um período difícil da minha vida pessoal como jornalista no pós-1964. O jornal que eu trabalhava era considerado a serviço dos ideais de esquerda, senão a serviço do partido comunista. Havia vários jornalistas egressos das milícias de esquerda, não era nada disso, mas os militares acharam assim".
Frisa com ênfase que esta foi uma luta cruel, grandiosa, que não pode ser esquecida, porque foi um momento importante da imprensa brasileira, pois um jornal regional, baiano, alçou-se a um papel libertário mais relevante do que grandes jornais do Centro Sul. E sofria, acrescentou, uma censura pior do que a praticada naquele momento no Rio e em São Paulo. "Qualquer coisa que acontecesse lá, a repercussão era internacional e na Bahia era menor, mas ainda assim o nosso sofrimento foi maior", lembrou. Democrata convicto, Joca comemora agora a inexistência na Bahia e no Brasil de algo capaz de ameaçar "a nossa liberdade individual".
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