"O que se faz aqui não é um pedaço da história política da Bahia; é, sim, o perfil de um sertanejo incomum e a rememoração de fatos que se infiltram nesta história". Esta citação foi retirada do livro "Horácio de Mattos: sua vida e suas lutas", do escritor Olympio Barbosa, que será relançado, no saguão Nestor Duarte da Assembléia, na próxima terça-feira, a partir das 16h30. Ambientado nas lavras diamantinas, nos grotões da Chapada, este livro narra a trajetória do lendário chefe da família Mattos, Horacio Queiroz de Mattos, líder político hegemônico da região, que viveu em um período conturbado, quando, na iniciante república, ainda imperava a política café com leite e toda efervescência conflituosa que esta situação suscitava.
Nas páginas desta verdadeira incursão à memória dos ciclos dos diamantes e carbonatos e dos "causos" dos coronéis, o leitor descobrirá a audácia, a coragem e lealdade de um homem de instrução elementar, modesto, que comercializava pedras preciosas e que, revoltado com as injustiças sociais, enveredou nas lutas sangrentas que envolviam seus parentes, correligionários e exércitos de jagunços. O protagonista afrontou, até mesmo, o poder estadual constituído e também organizou o Batalhão Patriótico Lavras Diamantinas, que enfrentou os revoltosos da Coluna Prestes. Além desse ato, Horacio liderou a heróica resistência da cidade de Lençóis, sitiada por tropas policiais e, em 1919, comandou um levante no sertão e a tentativa de tomada da capital.
Na confecção dessa biografia, o jornalista, advogado do sertão e ex-deputado estadual Olympio Barbosa conseguiu, segundo Basílio Catalá de Castro, "emoldurar num quadro magnífico a mais bela página da história do sertão, oferecendo aos estudiosos matéria prima para a compreensão da história da Bahia". O autor, apesar de ter sido testemunha ocular de alguns dos fatos narrados, não se prende unicamente a isso: depoimentos e provas documentais dão veracidade ao seu escrito.
Este relançamento faz parte do projeto Ponte da Memória, uma ação da Assembléia Legislativa, que busca salvaguardar a memória histórica, política e literária da Bahia, relançando livros que tiveram sua edição esgotada, garantindo perenidade à cultura baiana.
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