A Assembléia Legislativa conferiu ontem o título de Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça Social João Mangabeira ao geólogo João Carlos de Castro Cavalcanti, empresário de renome internacional no setor de mineração. A honraria foi proposta pelo deputado Arthur Maia (PMDB) e aprovada por unanimidade de votos. Durante a sessão especial de ontem para a concessão da honraria, a presença maciça do meio empresarial baiano e o interesse de jornalistas do setor de economia dos principais meios de comunicação do país deram a dimensão que o homenageado assume no cenário nacional.
Com simplicidade, João Carlos preferiu não ocupar a tribuna para agradecer a distinção oferecida pela AL e não decepcionou quem aguardava seu pronunciamento: aproveitou a ocasião para fazer um discurso fortemente político, afirmando, logo de início, que o “empresariado brasileiro está oprimido e humilhado” por um “Estado policialesco”, citando como exemplo “as humilhações” sofridas pelo seu sócio no Opportunity, Daniel Dantas, preso recentemente pela Polícia Federal. “Mas as urnas estão dando a resposta, ninguém elege mais um poste, a democracia está realmente instalada no Brasil”, disse.
No âmbito estadual, o empresario fez questão de dizer que na Bahia “os ventos também são outros”, lembrando uma época passada que não quis especificar, quando chegou a ser proibido de entrar na CBPM (Companhia Baiana de Pesquisa Mineral) por um antigo diretor. “Gostaria que o empresariado, que gera emprego e renta, fosse respeitado”, disse, revelando ter ligações também com o grupo Votorantim, de Antonio Ermírio de Moraes.
Durante o pronunciamento, o geólogo anunciou sua intenção de contribuir para a construção de um hospital para tratamento de criança com câncer no estado. “Já fiz a oferta para o governador Jaques Wagner”, informou, explicando que está esperando a posição oficial. Ele também fez uma avaliação tranqüila sobre a crise econômica mundial em relação ao setor de mineração. Ele explicou que, como a demanda por minério de ferro é crescente e as reservas são escassas, trata-se de uma commodity estável. “Minério não se planta”, definiu.
Em um tom menos incisivo, João Carlos deu algumas “receitas” para o sucesso na vida, começando por ter iniciativa. “Até as pedras têm atividade, homens sem iniciativa, sem proposta, sem objetivos, não vão a lugar algum”. Ele também fez questão de destacar o poder da fé: “Recentemente comprei a bela casa de Roberto Campos, executivo da Odebrecht, mas expliquei que estava comprando a capela”, brincou. Duas coisas que fez questão de deplorar foi o assistencialismo (“bolsa disso, bolsa daquilo”) e a inveja. “O que me dá prazer é visitar um projeto nosso e vermos as pessoas trabalhando, com emprego digno e renda”, disse.
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