“Estamos diante de uma entidade, de uma expressão viva”. Foi assim que a deputada Olívia Santana (PC do B) definiu a cantora Alcione, em seu pronunciamento de saudação. Ela se confessou profundamente emocionada ao prestar a homenagem a “essa mulher tão merecedora”, definindo como “histórica” a sessão especial na Assembleia Legislativa .
“Quando alguém me perguntar por que Alcione recebeu o Título de Cidadã Baiana, responderei: porque ela é baiana de alma, de música, de pintura, de arte, e porque ela projetou a nossa Bahia para o mundo”, disse a parlamentar, demonstrando claramente a afinidade da artista maranhense com o nosso Estado.
Olívia Santana afirmou que a concessão do título não só era uma iniciativa de mérito como principalmente uma necessidade. “Não poderíamos ser indiferentes a uma pessoa que é parte da história da música popular brasileira”, disse, acrescentando tratar-se de “uma mulher negra, do Nordeste, do Maranhão, aquele estado lindo”.
Logo no início do seu pronunciamento, Olívia disse que iria provar que Alcione realmente merece receber todas as homenagens da Bahia. “Quando ouço Alcione cantar, penso sempre que ela tem uma voz ancestral”. Ela considera que se trata de “uma voz que nos remete ao nosso continente de origem, à nossa África”.
“Alcione carrega essa africanidade, não apenas na sua estética, mas também na sua voz”, definiu. Olívia disse que as nossas cordas vocais são instrumentos, mas disse que a da sua homenageada traz uma força grandiosa. “Aquela voz, parece que a espiritualidade toma conta e que fala quando ela abre a voz”.
A deputada lembrou que o Dia da África ocorreu no último domingo, dia em que Alcione cantou na Conha Acústica. Presente ao show, Olívia disse que só conseguia pensar: “Meu Deus, que mulher poderosa! Ela é muito poderosa”. A comunista fez um paralelo com a voz de Milton Nascimento, “que é a voz de Deus, como disse Elis Regina. Pois eu quero dizer que a voz de Alcione é a voz das deusas. Essa voz que abala o samba, que brota do chão”.
Olívia contou um pouco da história de Alcione, em seu discurso. “Com apenas 9 anos, essa mulher aprendeu a tocar diversos instrumentos com o seu pai, que tanto a incentivou a adentrar o terreno da música”, disse, ressaltando a precocidade da homenageada. Destacou ainda a importância do suporte familiar e contou sobre a época em que a artista chegou a cantar na banda de jazz da qual seu pai fazia parte.
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