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Comissão de Agricultura promove debate sobre "A Jaca e suas Potencialidades"

Publicado em: 18/03/2025 17:46
Editoria: Notícia

Proponente da audiência pública, a deputada Fátima Nunes (PT) disse que a ideia é transformar a jaqueira e seus frutos em ?patrimônio agroecológico? da Bahia
Foto: JulianaAndrade/AgênciaALBA

A Comissão de Agricultura e Política Rural promoveu um debate, na manhã desta terça-feira (18), sobre “A Jaca e suas Potencialidades”, em audiência pública requerida pela deputada Fátima Nunes (PT). A ideia, disse a proponente, é transformar a jaqueira e seus frutos em “patrimônio agroecológico” em todos os municípios da Bahia. Ela também pretende que a jaca seja incluída na alimentação escolar e nos estudos de órgão públicos como universidades e Embrapa para que seja melhor aproveitada. Além disso, a petista defende a preservação da jaqueira e o replantio imediato a cada extração. A madeira dessa árvore é considerada de boa qualidade para aproveitamento na fabricação de móveis, portas, janelas, telhados e barris, por ser resistente a cupins e a água.

Mas não só isso. Ela destaca que tudo é utilizável, da casca ao fruto, incluindo o caroço. O professor e pesquisador da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) Janclei Pereira Coutinho, desenvolvedor de novos produtos alimentícios, tem estudos sobre o aproveitamento do caroço para a confecção de farinha. O custo é baixíssimo e o poder nutritivo alto, revelou.

CONSCIENTIZAÇÃO

Segundo ele expôs na audiência pública, com apenas um secador e um triturador se faz a farinha, que pode e deve ser utilizada na alimentação, em especial para combate à desnutrição infantil. Este produto, disse, pode fazer a Região Sul da Bahia, por exemplo, ser independente da importação da farinha de mandioca de outras regiões. O primeiro passo, entretanto, é a conscientização sobre a coleta do caroço, normalmente descartado. E a execução de uma política pública voltada para o aproveitamento da jaca.

Isso ainda não existe. Nem mesmo a Embrapa tem a jaca inclusa no rol da sua fruticultura. Mas o técnico Alfredo Alves, que representou o diretor da empresa em Cruz das Almas na reunião dessa manhã de terça-feira (18), disse que vai recomendar a emissão de uma Nota Técnica sugerindo a inclusão da jaca na lista das fruteiras de oportunidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Para ele, falta mesmo a definição e execução de uma política pública que impulsione a cadeia produtiva da jaca e explore todo o potencial da jaqueira, da madeira ao fruto.

É o que faz Raiane Cruz. Ela participou da audiência pública com uma série de produtos oriundos do fruto e da inter-casca da jaca. As possibilidades de uso são grandes: croquetes salgados, doces, cocada e até mesmo hamburger da “carne de Jaca”, além da farinha.

Nativa da Índia e muito bem adaptada no Brasil, a jaca é produzida em maior escala na Bahia na Chapada Diamantina e fonte de renda para pequenos agricultores. Produzida entre os meses de outubro e dezembro, a fruta é comercializada e consumida quase que exclusivamente na forma in natura, o que leva a um índice elevado de perda na pós-colheita. Ainda que timidamente, o fruto já vem sendo utilizado pelo agronegócio como alternativa de alimentação para os vegetarianos e veganos, com a transformação em “carne de jaca” e quitutes. Dos subprodutos da jaqueira, as sementes também são utilizadas na alimentação humana, podendo ser cozidas ou torradas na forma de farinha.

Tanto o fruto quanto as folhas são usados, ainda, como ração animal. Picada ou moída, ainda na fase verde, pode ser dada às aves, suínos, bovinos, caprinos e ovinos. A jaqueira é uma excelente madeira-de-lei, usada na construção naval, especialmente para o conjunto de peças que dão forma ao casco do barco. Também é muito usada na construção mista por ser uma das poucas madeiras que não produzem oxidação em contato com os metais. Na Bahia, tem aplicação nos trabalhos de marcenaria e carpintaria. Por crescer rapidamente (aos cinco anos começa a produzir), vem sendo usada em reflorestamento, principalmente consorciada a outras árvores. Na Bahia, Pernambuco e Paraíba já está sendo plantada como essência florestal, mas ainda em pequena escala. No Brasil há três espécies mais cultivadas: já jaca-dura; a mole, menor e mais doce, com menos látex; e manteiga, também mole.




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