O deputado Hilton Coelho (Psol) apresentou moção de pesar na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) lembrando o assassinato da missionária Dorothy Stang, ocorrido há 20 anos, em 12 de fevereiro de 2005, dentro do PDS Esperança (Projetos de Desenvolvimento Sustentável), em Anapu, Pará.
“Sua memória segue viva e continua inspirando milhares de ativistas na luta em defesa da terra e da Amazônia. Dorothy Stang, missionária da Congregação das Irmãs de Notre Dame de Namur, dedicou sua vida à luta pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais e pela preservação da floresta amazônica. Nascida em 1931 nos Estados Unidos, chegou ao Brasil em 1966, atuando inicialmente no Maranhão, Ceará e Paraíba. Em 1982 estabeleceu-se na região do médio Xingu, em Anapu, no Pará. Com coragem e determinação, organizou comunidades, denunciou crimes ambientais e combateu a exploração predatória da Amazônia, defendendo pobres, indígenas, ribeirinhos e trabalhadores rurais contra a exploração da terra, o desmatamento ilegal e a violência”, lembra o legislador.
No documento, ele relata que a missionária enfrentou de maneira incansável os interesses de grileiros e latifundiários, promovendo um modelo de reforma agrária sustentável por meio dos PDS, que concilia a produção de alimentos com a preservação ambiental. Sua atuação direta com os camponeses e povos tradicionais incomodou os setores do agronegócio, que, a mando de fazendeiros, orquestraram “seu assassinato brutal”.
“A maneira como ela foi assassinada revolta e desperta solidariedade em tantas pessoas ao redor do mundo, não apenas por sua história, mas pelo povo que ela serviu”, afirma o deputado. Anapu é uma das cidades mais violentas da região e é palco de inúmeros conflitos por terra. Ocupa o 13º lugar no ranking de mortes violentas intencionais nas cidades da Amazônia, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Com uma população de 35 mil habitantes, o município se espalha por um vasto território, equivalente a oito vezes o tamanho da cidade de São Paulo.
Desde o assassinato de Dorothy, outras 21 pessoas foram executadas por disputas de terra no local, conforme levantamento da CPT (Comissão Pastoral da Terra), organismo da igreja católica que atua junto a trabalhadores rurais. O nome de todas elas está em uma cruz vermelha cravada na sepultura da missionária.
“É inaceitável que, duas décadas depois do crime, apenas um dos cinco condenados por tramarem e executarem o assassinato de Dorothy, siga preso em regime fechado, de acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária do Pará (Seap). A omissão do Estado na proteção de defensores dos direitos humanos e da floresta demonstra a urgência de políticas mais efetivas para garantir a segurança das pessoas que dedicam suas vidas à justiça social e ambiental. Dorothy Stang não será esquecida. Que esta moção de pesar sirva também como um chamado à luta por justiça e pela proteção da Amazônia, de seus povos, do meio ambiente e de todas as pessoas ativistas em defesa da terra e dos direitos humanos”, conclui Hilton Coelho.
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