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Canudos luta por revisão histórica

Publicado em: 18/08/2008 00:00
Editoria: Diário Oficial

De punhos cerrados, representante do movimento grita em prol da memória de Canudos
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"Salve, Salve Canudos! Glória a Deus ô Maria, Benze o povo e eleva". Esse refrão foi o mais cantado no café da manhã que ocorreu nesta sexta-feira, na galeria dos ex-presidentes da Assembléia Legislativa. O evento marca mais uma etapa de luta do Movimento Popular e Histórico de Canudos, MPHC, que busca, acima de tudo, uma revisão histórica da saga do povoado e do seu líder Antônio Conselheiro. "Temos que resgatar a luta de um povo decente que sofreu um verdadeiro genocídio e tem sua história esquecida e escondida pela visão do repressor", salientou a deputada petista Fátima Nunes, presidente da Comissão da Promoção da Igualdade.
Para Pola Ribeiro, diretor-geral do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia, Irdeb, estas ações são extremamente importantes, pois trazem à tona uma situação real de um símbolo de luta, resistência e perseguição a um povo. "É preciso renovar a esperança na superação das desigualdades, já que Canudos foi o maior espelho deste aspecto no país", frisou. Já Ailton Florêncio, superintendente de Agricultura Familiar da Seagri, Suaf, destacou o espírito libertário dos camponeses e a necessidade de valorização do semi-árido baiano. "Com a agricultura familiar, podemos construir e aplicar políticas que valorizem e resgatem as condições de vida e cultura do sertanejo", afirmou.

EMPOLGAÇÃO

Enoque Oliveira, membro do diretório do movimento e pesquisador, informou que o objetivo inicial era mostrar Canudos fora de uma visão acadêmica e elitista, usando como fonte o próprio sertão, "uma visão da terra". Com base em texto de Antônio Conselheiro, Enoque ressalta que em Canudos a religião foi utilizada com uma bandeira de luta e não para alienar. Outro ponto enfatizado foi o momento político vivido no estado: "Com o governador Jaques Wagner, esperamos trazer a esperança de volta, pois estamos lutando pela questão da água, do bode e educação."
"Deixe-me viver, deixe-me falar, deixe-me crescer, deixe-me organizar", empolgada, Fátima Nunes acompanhou com palmas, os versos de outra música do movimento, e ressaltou a capacidade de organização, afirmando que mesmo sem ser filiada, ela se considera um membro de Canudos: "Pela esperança que o sertão seja visto como uma grande fonte de riqueza do país". No próximo dia 23, o movimento promoverá um encontro na zona rural da cidade de Monte Santo para uma discussão ampliada sobre o tema. A parlamentar petista confirmou sua participação.



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