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Comissão debate assédio moral

Publicado em: 15/08/2008 00:00
Editoria: Diário Oficial

O presidente da Comissão de Educação, Cultura, Ciência, Tecnologia e Serviço Público, deputado Bira Corôa, comandou os trabalhos
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A audiência pública, que teve como tema Assédio Moral e Doença Ocupacional entre Professores, ocorreu no Plenarinho da Assembléia Legislativa, na tarde de ontem, e contou com a presença do presidente da Comissão de Educação, Cultura, Ciência, Tecnologia e Serviço Público, deputado Bira Corôa, do Dr. Eduardo Reis, do Departamento de Saúde do Trabalho – Sinpro, da Dra. Dorotéia Silva, juíza da 1a Vara do Trabalho de Feira de Santana, de Cristina Kavalkievicz, diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino – Contee, e da professora Regina, representante da Secretaria da Educação da Bahia – SEC.
O deputado Bira Corôa deu início à audiência cumprindo a jornada de trabalho da comissão solicitada pelo Sinpro e demonstrou interesse pelo tema, por ser pouco discutido pela sociedade e importante para a educação, além de contribuir para discussão e procurar alternativas viáveis para solução do problema. "Essas questões afetam sensivelmente a vida do educador, pela pressão sofrida e vivenciada no trabalho, influenciando, inclusive, na vida pessoal", observou.
O objetivo da audiência, segundo Cristina Kavalkievicz, é dar visibilidade ao tema, socializando o conhecimento, na tentativa de identificar o que pode estar contribuindo para essas doenças e buscar uma solução. O Sinpro e a Contee iniciaram as pesquisas da saúde de professores, levando em consideração o fato de que a categoria adoecia pelo excesso e acúmulo de trabalho e estresse e problemas relacionados com a voz. Além disso, o assédio moral, que consiste na pressão, constrangimento, perseguição, humilhação e intimidação entre os professores com seus chefes e colegas, é um elemento forte para contribuição da doença da classe.

VIOLÊNCIA

O Dr. Eduardo Reis, ao pesquisar O cansaço mental em professores: manifestação de uma exposição crônica ao estresse, alega que a desvalorização do trabalho do professor, as mudanças no sistema de ensino e na relação de professor e aluno, as condições precárias das salas de aula, fazem com que os professores se transformem em artistas para manter a atenção dos alunos. Além disso, o baixo salário, pouca valorização da profissão, a violência que eles têm de enfrentar e o aumento de carga horária são fatores cruciais para problemas, como a "síndrome de Burnout", que consiste na perda do sentido do trabalho, no seu objetivo, de modo que qualquer esforço pareça inútil, fazendo com que o professor desista da missão.
"Há necessidade de uma avaliação mais ampla do que é o trabalho, as suas condições e a organização do trabalho do professor, além da prevenção de doenças e acidentes no trabalho", alega a professora Regina.
Para encerrar a audiência, a juíza chamou atenção para a falta de legislação para esse tipo de problema, mas como existe o aumento do número de queixas, os juízes precisam tomar alguma posição, apesar de não garantir que estes sintomas tenham relação com assédio moral.



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