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Oposição quer criar comitê para fiscalizar uso da força policial

Publicado em: 18/07/2008 00:00
Editoria: Diário Oficial

O líder do bloco oposicionista, Gildásio Penedo, diz que é preciso evitar 'abuso de poder'
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Submeter a atividade policial ao controle externo independente, através de órgãos nos quais figurem representantes da sociedade. Esse é o objetivo do projeto de lei apresentado na Assembléia Legislativa pela bancada de oposição, que cria o Comitê Estadual de Fiscalização do Uso da Força Policial.
Para os autores da proposição, os organismos internos de controle, como corregedorias, comissões disciplinares e serviços internos de inteligência, não têm se mostrado suficientes para o exercício dessa missão.
"A presente proposição está em sintonia com uma das recomendações do Relatório Philip Alston sobre a situação dos direitos humanos no Brasil, quanto à investigação independente das mortes pela polícia, inserindo-se no princípio de que não deve haver instituição pública sem controle, afim de se evitar o abuso de poder", explicaram os parlamentares, liderados pelo deputado Gildásio Penedo (DEM).
De acordo com a proposição, o comitê terá representantes do Ministério Público Estadual, Secretaria da Segurança Pública, Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Comissão de Direitos Humanos da AL, Conselho Estadual de Direitos Humanos da Bahia, Ordem dos Advogados do Brasil, além de um perito médico independente e três representantes da sociedade civil.

NOMEACOES

 

Os componentes do comitê serão nomeados por ato do governador do Estado, respeitadas as respectivas indicações, e terão mandatos de dois anos, podendo ser reconduzidos por igual período.
Segundo o projeto, o comitê deverá adotar medidas reguladoras para o uso da força na ação policial, observadas as regras internacionais adotadas pela ONU, pela Cruz Vermelha Internacional e, ainda, as regras da Secretaria Nacional de Segurança Pública e do Ministério da Justiça.
"Se é verdade que dentro do contexto atual em que vivemos a polícia, muitas vezes, é vítima, também é verdade que pode ser um dos vetores de realimentação do processo de violência e criminalidade, na medida em que, acossado pelo grau de organização e sofisticação de equipamentos com que se armam os criminosos, o aparelho policial tende a produzir respostas cada vez mais agressivas", argumentaram os parlamentares oposicionistas.
Para eles, o projeto não é um instrumento para amedrontar a polícia na sua importante missão de combater a criminalidade, mas de mostrar claramente que ela deve se submeter aos preceitos da lei, através de controle externo e independente. "Afinal, a polícia é uma corporação armada, cuja força incide sobre a vida e a liberdade, bens jurídicos irreparáveis."


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