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Deputada propõe homenagem às mulheres que atuam na política

Publicado em: 14/07/2008 00:00
Editoria: Diário Oficial

Neusa Cadore quer criar Medalha Joana Angélica para incentivar ação política
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Homenagear mulheres que se destacam pela participação política e estimular a inserção de outras, ampliando assim a representação feminina nesse cenário. É com esse objetivo que a deputada Neusa Cadore (PT) encaminhou projeto de Lei solicitando a instituição da Medalha Joana Angélica, que deverá ser conferida todos os anos, no dia 30 de junho, véspera da celebração da Independência da Bahia.
Joana Angélica de Jesus foi uma das personagens históricas que representaram a resistência na grande luta pela libertação baiana, que culminou com a Independência da Bahia, a 2 de julho de 1823. Religiosa soteropolitana, morreu defendendo o Convento da Lapa, em Salvador, contra soldados portugueses, durante o processo de luta pela Independência da Bahia. Ocupava a direção do Convento da Lapa, quando, em fevereiro de 1822, a cidade insurgia-se contra as tropas portuguesas do brigadeiro Inácio Madeira de Melo.
A comemoração do dia 2 de Julho é a celebração máxima da Bahia e uma das mais importantes para a nação já que, mesmo com a declaração da Independência, em 1822, o Brasil ainda precisava se livrar das tropas portuguesas que persistiam em continuar em algumas das províncias.
As mulheres são a maioria da população e do eleitorado brasileiros, porém a participação feminina na política brasileira ainda é muito reduzida. A representação feminina no Congresso Nacional é de apenas 8,5%. Esta estatística, que não chega sequer a 10%, não traduz o espírito da Lei 9.504, de 30.09.96, em que os partidos políticos são obrigados a deixar 30% das vagas reservadas para as mulheres dentro dos partidos políticos.
Para a deputada, a democracia é participação política e representação social. "Como podemos dizer, então, que exercemos a plena democracia, se as mulheres, que são 51% da população e do eleitorado brasileiro, ocuparam menos de 12% dos 1.681 cargos políticos disputados nas últimas eleições?."
No cenário da participação política da mulher baiana nos Poderes Executivo e Legislativo, dos 39 deputados federais baianos, apenas quatro são mulheres, representando 10,2%. Dos 63 parlamentares estaduais, apenas oito são mulheres, representando 12,6%, sendo que na legislatura anterior eram apenas cinco deputadas. Do total de 417 prefeitos municipais, apenas 34 são mulheres, representando 8,15%. Quanto à eleição para vereadores, dos 3.858 vereadores do estado, 3.348 (86,78%) são homens, e apenas 510 (13,22%) são mulheres. Isso sem contar que ainda não tivemos uma representante feminina no âmbito do Governo do Estado da Bahia. Essa realidade confirma que é preciso que as mulheres ampliem a sua participação nos processos políticos, de modo a traduzir-se a sua grande contribuição social, também, nas esferas de representação política.
Neusa Cadore justifica que no cumprimento da jornada de trabalho a mulher lida de perto com todas as questões sociais brasileiras. A educação dos filhos, o orçamento para as compras do mês, os juros das compras a prazo, a saúde, a preocupação com a violência, o desemprego próprio, do marido, do filho, do irmão. "E, com sensibilidade e dedicação, elas vão encontrando as soluções para dar conta da vida. É preciso fazer representar esse olhar feminino do mundo. É preciso fazer valer a experiência feminina de gestão dos problemas cotidianos", reafirma Neusa.



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