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Emissário submarino em discussão

Publicado em: 18/06/2008 00:00
Editoria: Diário Oficial

Comissão de Saúde promoveu audiência para debater emissário submarino de Jaguaribe
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Embasa defende obra, enquanto ecologistas e moradores divergem
O emissário submarino de Jaguaribe, cujas obras começaram no início do mês, foi tema de uma audiência pública promovida pela Comissão de Saúde e Saneamento Ambiental da Assembléia Legislativa. No encontro, representantes da Embasa e da Concessionária Jaguaribe S/A (responsável pelo empreendimento), ambientalistas e moradores da Boca do Rio ficaram em lados opostos quanto às conseqüências da obra para a Praia dos Artistas e para a comunidade do bairro.
O deputado Javier Alfaya (PCdoB), presidente da Comissão de Saúde, salientou que o novo projeto do emissário tem avanços em relação ao elaborado no governo Paulo Souto. "Do ponto de vista paisagístico, os problemas foram resolvidos com a implantação subterrânea do emissário", afirmou ele, lembrando que o projeto anterior previa a criação de um pier na Praia dos Artistas.
Orçado em, aproximadamente, R$ 620 milhões, o emissário submarino de Jaguaribe é resultado da primeira parceria público-privada (PPP) no setor de saneamento no estado e deverá beneficiar 1,9 milhão de pessoas e mais de um milhão de domicílios, de acordo com a Concessionária Jaguaribe S/A, constituída pela Odebrecht Investimentos em Infra-estrutura e a Construtora Norberto Odebrecht (CNO). O equipamento vai atender às demandas das bacias de Trobogy, Águas Claras e Cambunas, que abrangem, principalmente, a região da Avenida Paralela, orla e Lauro de Freitas.
O contrato para operação e manutenção do sistema tem duração de 183 meses (cerca de 15 anos), e, no período, a Embasa vai pagar mensalmente R$3,385 milhões em contraprestações à concessionária. O emissário terá 5,1 km de extensão, sendo 1,5 km em área terrestre e 3,6 km submarinos. O projeto inclui também a construção de uma Estação de Condicionamento Prévio, na Boca do Rio (junto ao Museu de Ciência e Tecnologia), de onde partirá o túnel até 600 metros da Praia da Boca do Rio. A partir daí começa a parte da tubulação, por mais 3 km.
Na defesa do emissário, o superintendente de Meio Ambiente e Projetos da Embasa, Júlio César Rocha, observou que diversas capitais do Brasil possuem o equipamento de saneamento ambiental, a exemplo de Rio de Janeiro, São Paulo, Santos, Fortaleza, Guarujá, Porto Alegre e Manaus (que despeja os dejetos no Rio Amazonas). Ele garante que os estudos feitos com distância, direção de ventos e correntes marinhas, dentre outros, farão com que os dejetos dos esgotos não prejudiquem a balneabilidade das praias de Salvador.
De acordo com o engenheiro Jorge Chagouri Ocke, da Concessionária Jaguaribe S/A, será utilizado nas obras um equipamento chamado "Pipe-Jacking", que perfura tanto solos arenosos como rochosos e elimina as explosões e a necessidade de operários escavando o solo – reduzindo desta forma a quase zero a possibilidade de acidentes e danos a residências. "Esse equipamento é o que há de mais moderno nesse tipo de obra", garantiu ele.
Os argumentos dos técnicos, no entanto, não sensibilizaram os moradores da Boca do Rio, representados pelo Comitê da Praia dos Artistas. Gilson Fernandes, integrante do comitê, lembrou que a Praia dos Artistas é um patrimônio artístico e cultural de nosso estado, "apesar de os representantes da Embasa alegarem que ela não é freqüentada e, portanto, poderia receber o emissário."
Fernandes leu uma carta do comitê, na qual eles alegam que a construção do emissário é desnecessária. Para os integrantes da entidade, o emissário que já existe no Rio Vermelho comporta a demanda de esgoto da cidade, desde que os rios Camurugipe e Lucaia sejam retirados do emissário e voltem diretamente a desembocar nas praias.
O problema é que para que isso aconteça é necessário um trabalho de despoluição desses rios. "Os recursos que serão utilizados na construção do emissário poderiam servir para despoluir os rios", argumenta Gilson Fernandes. Não é o que pensa a diretora de Planejamento da Secretaria de Desenvolvimento Urbana (Sedur), Maria Valéria Gaspar. "Nós teríamos que fazer um número muito grande de ligações domiciliares de esgoto para só depois fazer a dragagem. E isso não acompanharia o risco de crescimento urbano da cidade", argumentou.



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