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CDH debate chacina de Mussurunga

Publicado em: 12/06/2008 00:00
Editoria: Diário Oficial

Comissão de Direitos Humanos debateu, ontem, em Mussurunga, chacina que abalou o bairro
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Comissão pede providências e encaminha sugestões ao governo
A Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública da AL, na manhã de ontem, promoveu, além da reunião ordinária, audiência pública no bairro de Mussurunga, palco de uma das maiores chacinas ocorridas no país, que vitimou sete pessoas e deixou três feridos, no último dia 7. Esta é a terceira audiência pública promovida pelo colegiado no bairro. O major Ricardo, comandante da 49a Companhia, responsável pelo policiamento, informou que, 24 horas antes da chacina, reuniu-se com a comunidade e decidiu fazer um estudo emergencial para diagnosticar os problemas e pontos críticos da segurança no bairro. Concomitantemente, o colegiado, em sua reunião ordinária, aprovou o envio de ofício ao secretário da Segurança Pública, César Nunes, cobrando brevidade nas investigações. O deputado petista Yulo Oiticica representou a comissão na audiência.
Juarez Chastinet, representante do Ministério Público, estranhou o fato de um bairro tão populoso não ter uma companhia da PM e nem delegacia da Polícia Civil. "São mais de 60 mil pessoas com problemas de segurança porque o Estado não está presente". Para ele, não basta apenas lamentar as mortes. Além de atitudes fortes do governo, a comunidade tem de ajudar nas investigações, denunciando, apontando suspeitos, não deixando que a lei do silêncio impere. "Precisamos de provas concretas para botar estes marginais na cadeia", enfatizou.
Para o líder comunitário Reginaldo Ribeiro, os problemas enfrentados pela localidade do Baixinho, rua Adutora, onde ocorreu a chacina, não é só a falta de segurança. Outro líder, Aroldo Neilton, cobrou a implantação de uma delegacia, pois a mais próxima fica em Itapuã.

INSEGURANÇA

"Não queremos nos identificar, quanto mais a gente fala, mais risco a gente corre", disse uma jovem, parente de uma das vítimas. Enquanto isso, os protestos continuam. Na próxima terça-feira, a comunidade promete fechar, mais uma vez, a Avenida Paralela. Padre Bené, da paróquia do bairro, informou que não foram só estas mortes que aconteceram. "Além das sete vítimas, mais três pessoas foram assassinadas naquele fim de semana". Ele defendeu a implantação de um sistema de segurança.
Depois da audiência, as autoridades participaram de uma reunião sigilosa com parentes das vítimas, buscando ouví-las e auxiliar no inquérito policial. Será enviado ao governador Jaques Wagner um relatório que solicitará, a médio prazo, a implantação de uma companhia e de uma delegacia. Como medida emergencial, solicitarão ao governador que autorize o desmembramento de um dos cinco pelotões que compõem a 49a Companhia, para atuar em Mussurunga.



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