O Fórum de Educação Escolar Indígena da Bahia, realizado nos dias 3 e 4, na cidade de Banzaê, além de debater as políticas públicas e o exercício da gestão participativa, serviu também para consolidar a luta pelo fortalecimento da identidade étnica dos povos indígenas. Representantes das mais diversas etnias, do governo do estado e da Assembléia Legislativa unificaram o discurso em defesa da tolerância e respeito às tradições dos primeiros habitantes, sem esquecer a batalha por novas conquistas. O evento foi prestigiado pelo governador Jaques Wagner, pelo presidente da Assembléia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PSDB), pela presidente da Comissão da Promoção da Igualdade, Fátima Nunes, além de 24 caciques das 14 etnias do estado.
Desde o início dos trabalhos, na manhã do dia 3, terça-feira, imperou um ambiente que mesclou acolhimento das diferenças, harmonia e reivindicações. A recepção foi feita pelas tribos Tuxá e Kiriri, que subiram ao palco para dar as boas vindas aos visitantes com a realização de um ritual sagrado. Logo em seguida, o secretário-geral do Fórum, Sadraque Francisco, da tribo Pataxó, fez um pronunciamento louvando os novos tempos de diálogo, mas aproveitando também para apresentar os pleitos das comunidades indígenas.
"Nós acreditamos neste governo, que tem avançado significativamente em diversas questões, como a nomeação de nossos irmãos para funções importantes na administração, e temos esperanças de que é possível continuar avançando ainda mais", afirmou, destacando que o quadro de dificuldades históricas não foi ainda sanado. "Temos uma série de demandas, como um maior acesso ao ensino infantil, apoio político para a demarcação de terras, criação da universidade estadual indígena, revitalização da cultura dos povos, criação de um museu, entre outras."
SIMBOLOGIA
As respostas para as reivindicações dos índios foram apresentadas de forma simbólica pelo governador Jaques Wagner. "Mais do que obras de cimento, que são importantes, estamos aqui construindo algo muito mais transcendental, que é uma nova concepção de diálogo e respeito", disse o governador, acrescentando que agora as comunidades indígenas e os movimentos sociais, com independência, organizam-se "não contra o governo, mas com o governo. Acabou o paternalismo e mandonismo e começou um novo tempo de parcerias", garantiu.
O presidente Marcelo Nilo seguiu a mesma linha de raciocínio do chefe do Executivo. "Fóruns como este são muito positivos e produtivos, pois, neste caso específico, serve para lutarmos não só pela manutenção das tradições indígenas, mas também pela inclusão de novas demandas das comunidades, ouvindo-as e respeitando suas opiniões e construindo as soluções de forma coletiva."
PROPOSTAS
Por conhecer as carências das comunidades indígenas, especialmente da tribo Kiriri de Banzaê, pois é filha da região, nascida em Paripiranga, a presidente da Comissão da Promoção da Igualdade, Fátima Nunes (PT), pretende apresentar propostas concretas que ajudem a minorar os problemas dos índios. No aspecto educacional, por exemplo, ela vai propor a concessão de bolsas de estudos para os estudantes indígenas que fazem curso superior. A petista informou que vai lutar também pela criação da categoria do professor indígena. "Já estamos conversando com a Secretaria da Educação e com a Procuradoria Geral do Estado para resolvermos as demandas das comunidades", disse, acrescentando que "este encontro em Banzaê é um importante instrumento de resgate da cidadania desta sofrida população."
E os números confirmam o grau de dificuldade enfrentado pelos 25 mil índios baianos. Atualmente, 80% dos territórios têm problemas relacionados à demarcação e das 57 escolas indígenas, 50 são municipais e não oferecem boas condições de estrutura. Além disso, em Banzaê, onde 56% do território pertence aos índios, eles não têm nenhum representante político originário das comunidades.
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