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Baianos vivem dia do reencontro com o coração da "mama" África

Publicado em: 30/05/2008 00:00
Editoria: Diário Oficial

No dia 25 de maio de 1963, 32 chefes de Estado africanos se reuniram em Adis Abeba, capital da Etiópia, para protestar contra o sistema de colonização e subordinação que submetia o continente africano. O encontro passou à história e deixou como marco a criação da Organização da Unidade Africana, hoje União Africana. A data é reconhecida pela ONU desde 1972 como Dia da Libertação da África.

 

Sessão especial na AL foi marcada pela alegria da diversidade
Um dia de afirmação e tomada de consciência. É assim que pode ser definido o 25 de maio, Dia Internacional da Libertação da África, que foi celebrado ontem, na Assembléia Legislativa, em sessão especial proposta pelo deputado Bira Coroa (PT). "É uma data de comemoração, mas também de avaliação, reparação e, sobretudo, de afirmação", definiu o parlamentar. Para tanto, foi convidado a proferir conferência o professor doutor congolês Kabengele Munanga, diretor do Centro de Estudos Africanos da USP, que apresentou um amplo estudo ao avaliar cinco séculos de uma história de espoliação sofrida pelo continente negro.
Um plenário colorido, com arranjos de flores, faixas multicores e painéis de grande tamanho, recebeu também autoridades brasileiras e africanas, povos-de-santo, intelectuais e diversos representantes da sociedade, que ouviram diferentes pontos de vista que se complementaram sobre a saga africana. O primeiro a ocupar a tribuna foi o secretário da Promoção da Igualdade, Luiz Alberto. Ele se associou a todos que lutaram contra a escravidão e continuam buscando a cidadania. Ele falou sobre a determinação do presidente Lula de criar uma universidade África-Brasil e pediu que os deputados agilizem a aprovação do projeto de Estatuto da Igualdade Racial, que tramita na AL.
Bira Coroa sucedeu Luiz Alberto na tribuna para chamar atenção para a necessidade de "discutir sobre a contribuição do nosso povo para o desenvolvimento do mundo". A deputada Fátima Nunes (PT) também discursou e até fez um canto conclamando à igualdade e solidariedade entre todas as raças que compõem o Brasil.

CONFERÊNCIA

O professor Munanga, no início de sua fala, se perguntou sobre o que poderia falar que pudesse ir além do que tinham dito aqueles que o antecederam. Se desculpou por sua expressão ser eminentemente acadêmica e depois falou por cerca de 60 minutos. "A África de hoje é nada mais do que o resultado histórico de cerca de cinco séculos consecutivos que ela atravessou, carregando sempre no início de um século os saldos positivos e negativos dos séculos anteriores". Segundo ele, aquele continente é visto pelo ocidente sob caricaturas que esquecem o essencial: a África é feita de africanos.
A respeito da escravidão, ele lembrou que, além da violência social, o continente africano sofreu uma perda populacional de dezenas de milhões de pessoas. "Imediatamente após o tráfico veio o colonialismo, acrescentando à pilhagem dos homens, a das terras e das riquezas naturais. Aí vieram as lutas pelas independências, na década de 60, "que representam um momento de ruptura entre um passado de humilhação, de desumanização, de exploração e um futuro diferente a ser construído". No entanto, os novos países continuaram com suas economias controladas pelo exterior. Ele disse ainda que não vê os atuais conflitos étnicos com as mesmas motivações culturais dos ancestrais, sendo atualmente apenas uma guerra civil pelo poder.
Compuseram a mesa dos trabalhos, o presidente da AL, Marcelo Nilo (PSDB), Bira Coroa, Fátima Nunes, Luiz Alberto, Kabengele Munanga, os embaixadores de Angola, Leovigildo Costa e Silva; da República Democrática do Congo, Baoduin Mayola; da Nigéria, Kayode Garrick; o secretário municipal da Reparação de Salvador, Sandro Correa; o subsecretário de Políticas Afirmativas, Giovanni Harvey; o presidente da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro; a representante da Irmandade da Boa Morte, Joselita Alves; e o representante do Coletivo de Entidades Negras, Marcos Resende.



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