Apesar do tom festivo, mais críticas à segurança pública
Apesar do caráter festivo, a sessão comemorativa dos 200 anos de criação da Polícia Civil do Brasil transformou-se num novo debate sobre o crescimento da criminalidade na Bahia. Com a presença do secretário da Segurança, delegado César Nunes, diversos parlamentares discursaram sobre assunto e apontaram as razões que, na avaliação deles, teriam levado ao aumento da violência no estado nos últimos anos. Autoridades, delegados, agentes de polícia e alunos da Academia de Polícia participaram da sessão.
O encontro foi proposto pelo deputado Gilberto Brito (PR), delegado de carreira, que em seu discurso resgatou a trajetória da Polícia Civil na Bahia. Ele argumentou também que a contratação de delegados e agentes de polícia e a criação de novas delegacias não são suficientes para combater a violência que atormenta a população. Para Brito, é preciso também se combater os problemas sociais, como a falta de planejamento familiar.
O parlamentar contou ainda em seu discurso que a Polícia Civil no Brasil foi instituída pelo Príncipe Regente D. João VI, em 10 de maio de 1808, quando criou também o cargo de Intendente-geral da Polícia da Corte e do Estado do Brasil, similar ao que existia em Portugal.
Ele também leu uma indicação de sua autoria, encaminhada ao governador Jaques Wagner, na qual solicita a criação de um dispositivo legal que iguale os benefícios dos policiais civis e militares no momento da aposentadoria. Segundo ele, os militares incorporam aos proventos da aposentadoria 20% a título de inatividade, que supre algumas vantagens recebidas quando em serviço – "benefício que os civis não têm".
O segundo deputado a discursar foi Capitão Tadeu (PSB), que também é policial de carreira, embora seja da Polícia Militar. Ele observou que a situação da segurança pública no país "é de pré-falência". Para Capitão Tadeu, o problema é que a segurança pública não é encarada pelo poder público no Brasil como prioridade.
Já o líder da oposição, deputado Gildásio Penedo (DEM), destacou que é premente a necessidade de investimento na área de segurança no estado. De acordo com ele, não é verdade que a violência esteja crescendo em todo o Brasil. "Em São Paulo, Pernambuco e Sergipe, por exemplo, o número de homicídios vem caindo nos últimos anos", exemplificou ele.
Reclamando de que "nem em sessão comemorativa a oposição dá trégua, o líder governista Waldenor Pereira (PT) apontou os problemas sociais como as principais causas do crescimento da violência na Bahia. Waldenor observou que, a despeito de ser o sexto estado mais rico do país e concentrar 40% de toda produção do Nordeste, a Bahia detém alguns dos piores indicadores sociais.
De acordo com o deputado petista, a Bahia continua sendo campeão nacional do analfabetismo, com dois milhões de analfabetos e quatro milhões de pessoas com menos de quatro anos de estudos – os chamados analfabetos funcionais. Além disso, acrescentou Waldenor, a Bahia tem o maior número de famílias assistidas pelo Programa Bolsa Família – cerca de 1,2 milhão. "Isso é resultado de um modelo concentrador de renda", acrescentou
O secretário de Segurança Pública, César Nunes, apoiou os argumentos de Waldenor. "A criminalidade que assusta a Bahia e o Brasil é resultado dos desencontros familiares e exclusão social", afirmou ele, acrescentando que os policiais são os primeiros a entrar em contato com os problemas sociais. "A polícia é quem dá a primeira assistência, quando todos faltam".
A sessão, que foi encerrada com a execução do Hino da Polícia Civil, contou com a participação de diversas autoridades, a exemplo do procurador-geral do Estado, Lidivaldo Brito, o delegado-chefe da Polícia Civil, Joselito Bispo, a presidente da Associação dos Delegados da Bahia, Soraia Pinto, dentre outras autoridades.
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