Os laços que unem a Bahia à ancestralidade africana também se fizeram presentes em forma de arte na Assembléia Legislativa, neste semana dedicada ao continente negro. As comemorações começaram na segunda-feira, dia 26, com a explosão de cores e movimentos do artista de Santo Amaro, Francisco Santos, que expôs a saga dos orixás no Saguão Josaphat Marinho. A exposição de sua obra, reconhecida internacionalmente e que também ganhou o aplauso dos servidores, deputados e visitantes da AL, fica em cartaz até hoje.
Além dos trabalhos do artista santamarense, também foram destaques ontem mais duas outras mostras. Uma, no plenário, trazia painéis iconográficos apresentados recentemente na ExpoPortugal. As obras, de forte valor simbólico, representavam cenas do cotidiano dos povos africanos, além de objetos como tronos e máscaras.
Já no Saguão Nestor Duarte, estava em exposição as fotografias sobre os agudás, "os Brasileiros do Benin", com pesquisa feita pelo antropólogo Milton Guran. No texto de abertura da mostra, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirma "que a exposição ilumina os fortes laços que unem, pela história e pela cultura, o Brasil e a Costa Ocidental da África". O ministro afirma ainda que "o tráfico negreiro e o posterior retorno dos escravos libertos à região do Benin aproximam, de forma dramática porém definitiva, as duas costas do Atlântico".
De acordo com Kiazala, mãe pequena do terreiro de Jauá, em Camaçari e uma das organizadoras do evento a convite do deputado Bira Corôa (PT), há um intercâmbio e uma identidade muito grande entre os brasileiros daqui e os agudás que habitam no Benin. "isto pode ser notado nas danças, na música, nos costumes do cotidiano e também nas comemorações religiosas", afirma.
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