MÍDIA CENTER

Comissões conjuntas da AL debatem grupos de extermínio

Publicado em: 28/05/2008 00:00
Editoria: Diário Oficial

Jovens lotam plenário da AL para protestar contra ação dos grupos de extermínio na Bahia
Foto:

Perfil da maioria das vítimas: jovens, pobres e negros
Jovens, pobres, negros. Esse é o perfil predominante das vítimas dos grupos de extermínio em Salvador. O assunto foi discutido em audiência pública na Assembléia Legislativa promovida em conjunto pelas comissões de Direitos Humanos, Educação e Promoção da Igualdade. O encontro contou com a presença de secretários de estado e município, representantes da Justiça, Ministério Público, militantes de entidades negras e de um grande número de estudantes, que lotaram o plenário e galerias da AL.
Presidida pelo deputado Yulo Oiticica (PT), a audiência foi marcada por discursos inflamados e apresentações de rap e encenações teatrais, mas não ficou só nisso. No final do encontro, os participantes tomaram uma série de encaminhamentos, dentre eles o compromisso de apoio dos deputados a implementação de um Plano Estadual de Políticas Públicas para Juventude.
Um dos primeiros a discursar na audiência foi o secretário estadual de Promoção da Igualdade, Luiz Alberto. Para ele, o Brasil passa hoje "por um processo histórico de cultura de violência de cunho racial". Ele criticou ainda o fato de muitos grupos de extermínios que atuam na periferia envolverem policiais e mesmo comerciantes. "Essas ações têm cunho racista", acredita ele.
Já para o secretário da Reparação de Salvador, Sandro Corrêa, os jovens negros só são protagonistas das páginas policiais dos jornais. "Precisamos mudar essa realidade a cada dia com um profundo esforço para combater a exclusão do homem e da mulher negra", afirmou ele, garantindo que a prefeitura está fazendo a sua parte.
A presidente da Associação de Familiares e Amigos de Presos, Adriana Fernandes, observou que o perfil das vítimas de homicídios na periferia é o mesmo da maioria da massa carcerária do estado. "Uma massa de jovens negros, em sua idade mais produtiva, estão jogados no sistema penal, em condições desumanas e sem qualquer política de ressocialização", lamentou Adriana, apontando para o alto índice de reincidência.



Compartilhar: