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Roberto Muniz sugere homenagens na Bahia

Publicado em: 20/05/2008 00:00
Editoria: Diário Oficial

Roberto Muniz: duas homenagens dos baianos
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O falecimento da escritora Zélia Gattai foi lembrado na Assembléia Legislativa por meio de moção de pesar apresentada pelo deputado Roberto Muniz (PP). Em homenagem à escritora, falecida aos 91 anos no último dia 17, o parlamentar apresentou duas indicações nas quais sugere ao governador do Estado que seja transformada no Centro Cultural Jorge Amado e Zélia Gattai a casa onde viveu o casal de escritores, no Rio Vermelho. O nome da escritora também foi lembrado pelo parlamentar para a Via Expressa que será construída, ligando a BR-324 ao Porto de Salvador.
"Zélia Gattai, esposa do grande escritor Jorge Amado, foi uma mulher de grande importância no cenário da cultura do estado. Como escritora e fotógrafa, se tornou um expoente da sociedade baiana", disse o parlamentar, que considera a sugestão do nome de Zélia Gattai para a Via Expressa uma justa homenagem para esta "baiana de coração". Sobre a transformação da casa onde o casal viveu em centro cultural, o deputado comentou que o local foi palco de experiências gratificantes para a Bahia e para o mundo. "O povo da Bahia, órfão do casal Jorge e Zélia, necessita de que a memória do casal escritor fique viva e funcione como um incentivo cultural para a população", argumentou.
Nascida em São Paulo, Zélia Gattai passou sua infância no bairro de Paraíso, na capital paulista. Durante o seu primeiro casamento, Zélia estreitou os laços de amizade com grandes nomes do cenário literário, como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Rubem Braga e Vinícius de Moraes. Ela já era grande admiradora de Jorge quando o conheceu, em 1945. Trabalharam juntos no movimento pela anistia dos presos políticos e, poucos meses depois, já estavam unidos como casal. A partir daí, a trajetória dos dois passa a se confundir. A união do casal foi oficializada 33 anos mais tarde, em 1978.
Em 1948, com declaração da ilegalidade do Partido Comunista, Zélia e Jorge se exilaram na Europa, quando conheceram e conviveram com personalidades como Pablo Neruda, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Picasso. A França foi o cenário inspirador para a sua paixão pela fotografia. Zélia contribuía imensamente para as obras de seu marido Jorge Amado, ficando responsável pela revisão das obras escritas por ele.
Aos 63 anos decidiu que seria a sua hora de ingressar na literatura e escreveu seu primeiro livro, Anarquistas, graças a Deus. Possui um acervo de nove livros de memórias, três livros infantis, um romance e uma fotobiografia. Algumas dessas obras foram traduzidas para francês, italiano, espanhol, alemão e russo.
Os trabalhos desenvolvidos como escritora se traduziram em muitos prêmios e na indicação para a cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, antes ocupada por seu marido, Jorge Amado, Machado de Assis, Alfredo Pujol e José de Alencar. O título de Cidadã da Cidade de Salvador, concedido em 1984, foi prova do reconhecimento da importância de Zélia para a cultura da cidade.
Em 2001, a prefeitura de Taperoá, estado da Bahia, deu o nome de Zélia Gattai à sua Fundação de Cultura e Turismo, uma justa homenagem à escritora. Zélia também foi agraciada na França com os títulos de "Cidadã de Honra da Comunidade de Mirabeau", em 1985, e a de "Comendadora das Artes e das Letras", em 1998. No Brasil, entre outros prêmios literários, recebeu o "Dante Alighieri", em 1980.



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