Se a luta é contínua, as comemorações também não param. O Sindicato dos Bancários da Bahia (SBBA) completou 75 anos de fundação no dia 4 de fevereiro, porém as festividades pela passagem da data prosseguirão durante todo o ano, segundo assegurou o deputado Álvaro Gomes (PC do B), ex-presidente da entidade. Ele fez tal declaração na concorrida sessão especial realizada na manhã de ontem na Assembléia Legislativa.
O parlamentar comunista, aliás, foi quem abriu os trabalhos com um detalhado discurso sobre a trajetória do Sindicato. "Os bancários da Bahia têm uma bela história de luta e resistência, que começou no início do século passado com o pioneiro José Mutti de Carvalho, fundador da entidade em 1933". Leonor Mutti de Carvalho Graziano, única irmã viva de José Mutti, esteve presente ao evento e ocupou lugar na mesa que dirigiu os trabalhos.
Logo após destacar as lutas e as conquistas da primeira metade do século passado, Álvaro Gomes falou sobre os momentos difíceis vividos a partir do golpe militar de 1964. "Vivenciamos ocasiões muito complicadas. Não só os bancários, mas todos aqueles que se opunham ao regime. Inúmeros companheiros foram presos e vítimas de fortes perseguições", disse, acrescentando que o sindicato sofreu intervenção e toda a diretoria acabou na cadeia.
Álvaro Gomes ressaltou, porém, que, mesmo sob os rigores da ditadura, a batalha teve continuidade. "No auge da repressão, em 1975, a categoria apresentou uma chapa encabeçada pelos companheiros Jadson Oliveira e Valdomiro Lustosa, que foi proibida de concorrer por ordens superiores", relatou, acrescentando que em 1981 os comunistas retomaram o poder no Sindicato. "Assim, o SBBA voltou às suas origens, já que sua primeira diretoria foi formada por comunistas", disse.
Álvaro, que ocupou a presidência da entidade em 1987, mas já fazia parte da diretoria anteriormente, lembrou ainda da greve de 1985. "Apesar de ter durado apenas três dias, do ponto de vista do movimento foi uma explosão libertária". Mesmo com as mudanças nas relações de trabalho, o parlamentar afirmou que os bancários da Bahia usaram a criatividade e realizaram novas formas de mobilização.
O deputado lembrou ainda que o SBBA é o único sindicato do Brasil que possui um boletim e um programa na televisão, com edição diária. "Nosso boletim, criado em dezembro de 1989, serve como um contraponto à grande imprensa e também para contribuir para a democratização dos meios de comunicação".
No final de seu pronunciamento, ele fez duras críticas à privatização do Baneb, que, segundo ele, causou "enormes prejuízos para a Bahia". Sua fala, porém, não terminou com protesto. Ele finalizou louvando o compromisso solidário do SBBA, que sempre atuou de forma cidadã, na construção da democracia e na luta contra as desigualdades.
SOLIDARIEDADE
E a prova de que o sindicato dos bancários sempre atuou de forma solidária em relação aos movimentos sociais foi dada pelos testemunhos dos representantes das mais diversas categorias, que usaram a palavra da tribuna. Graça Gomes, do Iapaz; Rita Sebadelhe, representante dos sem-teto; Marilda Sousa, representando a Superintendência do Banco do Nordeste; Jerônimo Júnior, do Unegro, dentre outros, garantiram que "o sindicato sempre foi parceiro".
Também falaram o deputado Javier Alfaya (PC do B), que destacou o "papel de vanguarda exercido pelo sindicato", e os sindicalistas Euclides Fagundes (atual presidente) e o vereador Everaldo Augusto (ex-presidente).
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