Desenvolvimento tecnológico partilhado com a aplicação de software livre na administração pública foi o principal tema discutido na audiência pública promovida pela Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Serviço Público da AL, sessão conduzida pelo presidente da Comissão, deputado Bira Corôa (PT). O Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) apresentou, por intermédio do diretor-presidente da entidade, Marcos Mazoni, a política de tecnologia da informação e comunicação que está sendo implantada pelo governo federal.
A audiência contou com a presença do secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Ildes Ferreira e do presidente da Comissão de C&T da Câmara federal, Walter Pinheiro. Também fizeram parte do encontro o diretor presidente da Prodeb (Companhia de Processamento de Dados da Bahia), Elias Sampaio, e o da Prodasal (Companhia de Processamento de Dados de Salvador), Maurílio Ramos.
Na oportunidade foi assinada uma carta de intenção para cooperação técnica entre Serpro, Secti, universidades públicas da Bahia e empresas públicas de tecnologia da informação do estado e do município.
Segundo Mazoni, as questões tecnológicas em relação à tecnologia da informação já foram superadas. A questão agora é como compartilhar o conhecimento. Para isso o Serpro acredita na cooperação dos setores de informática pública para alcançar a melhoria do serviço prestado à sociedade. Além disso, a empresa é pioneira e fomentadora do software livre junto a outras instituições públicas. "Compartilhar nosso trabalho é importante para a vida das pessoas e a competição nos afasta desse objetivo. Temos que colocar todos os estados no patamar do que cada um tem de melhor e implantar a ideologia do crescer junto", afirmou.
O secretário Ildes Ferreira disse que o governo do Estado tem uma orientação clara de trabalhar no dia a dia com software livre e não está sendo possível a implantação plena pela falta de capacitação dos agentes técnicos e servidores públicos. Ele informou que o termo de cooperação assinado pelo governo do Estado com a Microsoft não cria nenhuma dependência em relação à empresa. "Já implantamos 950 centros digitais da cidadania com 9 mil computadores funcionando com software livre. O governo tem clareza da necessidade de investimento na tecnologia da informação como fator de transparência e inclusão social", afirmou.
Já Walter Pinheiro reiterou que as dificuldades no campo da tecnologia da informação, do ponto de vista do equipamento, já foram superadas e que agora é o momento de mudar o aspecto cultural. "Não adianta o governo decretar que tudo deve ser software livre se não existe mão de obra suficiente. Sem dominar o software não temos como enfrentar os problemas do mundo atual", ressaltou, completando que deve haver um esforço do ponto de vista orçamentário e político para que a tecnologia da informação tenha a mesma prioridade que outras questões estruturantes.
O presidente da comissão, Bira Corôa, encerrou a audiência afirmando que esta cumpriu o papel de trazer o debate qualificado sobre o tema da Tecnologia da Informação para a Casa, possibilitando que o relevante assunto saia da órbita dos técnicos e se aproxime mais da sociedade e de seus interesses.
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