Sete deputados foram ver de perto situação do complexo Camaçari
A Comissão de Infra-estrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo esteve ontem em Camaçari para ver de perto a situação do Pólo Petroquímico, o maior complexo integrado do Hemisfério Sul, que este ano comemora 30 anos de fundação. Na ótica do presidente Júnior Magalhães (DEM), a data é importante para o estado e a visita serviu para colocar na agenda da Assembléia Legislativa os problemas e demandas daquele setor produtivo.
A comitiva de sete parlamentares foi recebida pelo presidente do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), Manuel Carnaúba, e boa parte de sua diretoria, que expuseram a programação comemorativa à data e a situação atual do pólo. Além de Júnior, participaram a vice Ângela Sousa (PSC), Leur Lomanto (PMDB), Ivo de Assis (PR), Luiz Augusto (PP), Eliedson Ferreira (DEM) e Misael Neto (DEM). Para Júnior, tratou-se de um dos mais importantes eventos de que participou como deputado estadual.
PENDÊNCIAS
Os deputados ouviram de Carnaúba que muito há o que comemorar, mas apresentou uma agenda de discussão para preparar o pólo para os próximos 30 anos. Para tanto, eles almejam resolver pendências, a exemplo da tributária. O empresário, que é também vice-presidente da Braskem, revelou que as empresas do pólo têm algo em torno de R$1 bilhão de crédito de ICMS retido pelo Estado.
É necessário também equacionar gargalos operacionais. "A infra-estrutura do pólo está obsoleta, é a mesma de 30 anos", avalia Júnior, citando, por exemplo, a deficiência portuária. Segundo ele, os navios chegam a esperar três dias para atracar, a um custo diário de US$ 20 mil.
As malhas rodoviária e ferroviária também não são suficientes para escoar a produção. A oferta de gás natural, segundo a diretoria do Cofic, também está aquém da demanda local. "Vimos estradas inteiras com os postes sem uma lâmpada, fiação, nada", contou o parlamentar, citando a falta de segurança local como mais um problema a ser resolvido.
EVENTOS
A Comissão de Infra-estrutura vai realizar uma sessão especial para comemorar o aniversário do pólo e buscar soluções para o setor a serem apresentadas ao governador Jaques Wagner. Além disso, os problemas estarão inseridos nas próximas audiências públicas agendadas: na terça-feira da próxima semana, sobre ciência e tecnologia, e 26 deste mês, sobre perspectivas de desenvolvimento da indústria baiana.
O Pólo Petroquímico foi inaugurado em 29 de junho de 1978, modificando a matriz econômica da Bahia, antes basicamente agropastoril, com grande importância para o cacau. O estado era então a terceira economia do Nordeste. Com a instalação do Projeto Amazon, da Ford, diversificou suas atividades, sendo hoje 34 químicas e petroquímicas, 26 de outras atividades, além das 29 ligadas ao complexo petroquímico. Fatura por ano US$ 15 bilhões e é responsável por 30% do PIB do estado, gerando 15 mil empregos diretos e 20 mil indiretos.
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