Construir pequenos matadouros, a um custo mais baixo, numa maior quantidade de municípios ou equipamentos maiores que funcionem como pólos regionais? Esse debate dominou toda a primeira sessão da Comissão de Agricultura após a viagem dos deputados ao Rio Grande do Sul. A experiência deixou entusiasmado o presidente da comissão, deputado Luís Augusto (PP), que pretende importar a experiência para a Bahia. Como ponto a favor, ele cita o custo dos matadouros, que gira em torno de R$500 mil, no caso daqueles com capacidade para abater até 50 animais. De acordo com Luís Augusto, o governo do Estado prevê investir R$10 milhões na construção de três ou quatro grandes matadouros regionais.
"Com esses recursos poderíamos construir até 20 matadouros abrangendo uma região muito maior da Bahia", argumentou Luís Augusto. A título de comparação, o deputado observou que o Rio Grande do Sul tem 365 matadouros, enquanto a Bahia só tem 27. Ele argumentou ainda que todos os equipamentos do estado do Sul funcionam com atestados municipais (190), estadual (160) ou federal (15).
Não é o que pensam o coordenador da Secretaria de Agricultura, Alex Franco Bastos, e o técnico da Adab, William Desmon, presentes à sessão de ontem. De início, os representantes do governo do Estado acharam o custo de R$ 500 mil muito baixo, mesmo para construção de um abatedouro de pequeno porte.
Bastos, por exemplo, argumenta que reduzir as dimensões do matadouro não influi tanto assim nos custos da construção, já que o que equipamento tem que obedecer a critérios pré-estabelecidos pela Portaria 304. Ele observou também que um matadouro de dimensões reduzidas pode limitar a produção pecuária do município onde ele estiver instalado. "Se o matadouro só tiver capacidade para abater 20 animais por dia, o que será feito quando essa produção for ampliada?", questionou Bastos.
Já Desmon afirmou que existe um projeto de construção de abatedouros regionais em parceria com a iniciativa privada, que deve mudar o cenário do abate de animais da Bahia em até três anos. De qualquer forma, a discussão deve continuar com a realização de novas audiências na AL e seminários. Também participaram da sessão de ontem os deputados José Nunes (DEM), Ivo de Assis (PR), Neuza Cadore (PT) e Fátima Nunes (PT).
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