As mulheres são 51% do eleitorado brasileiro, mas ainda continuam fora do poder. Esta e outras distorções de representatividade no sistema eleitoral foram tratadas pela professora Ana Alice Costa, pesquisadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares Sobre a Mulher, na manhã de ontem, na Assembléia Legislativa. Ela veio à Casa a convite da Comissão dos Direitos da Mulher, presidida pela deputada Marizete Pereira (PMDB), para fazer uma palestra sobre "A presença da mulher nos espaços de poder – Lei de Cotas".
Apesar de ter consciência de que a referida lei de cotas, que determina 30% das vagas para as mulheres, ainda não foi implantada na sua plenitude, Ana Alice destacou que já é preciso dar um passo adiante e lutar pela paridade. Ela fez questão de chamar a atenção para a condução do papel da mulher e conclamou as deputadas baianas a trabalharem pela conscientização das mulheres no interior do estado. "Recentemente estivemos em um encontro com cerca de 80 mulheres em Mairi e notamos que há uma ansiedade delas no entendimento das questões políticas."
Na sua detalhada exposição, Ana Alice mostrou a evolução da representação da mulher baiana na política, desde a pioneira Maria Luíza Bittencourt até os dias de hoje. Apesar da evolução, o quadro continua de extrema disparidade. No Congresso Nacional, por exemplo, existem apenas 45 deputadas, o que representa 8,77% do total de 513 parlamentares. No Senado, a situação é um pouco menos dramática, com as mulheres ultrapassando a marca de 10%, mais exatamente 11,11% do total de 81 representantes naquela casa.
ELOGIOS
No final dos trabalhos, a petista Fátima Nunes apresentou uma proposta bastante ousada. "Entendo que nós mulheres não devemos participar da próxima composição da Mesa como suplentes. Ou participamos como titulares ou não participamos".
Logo em seguida, foi aberto um debate com as parlamentares e as representantes da sociedade civil que lotaram a sala da comissão. Na tarde de ontem, a comissão foi até o Tribunal de Justiça reivindicar a instalação das três varas especializadas no combate à violência doméstica contra as mulheres, já aprovadas na Lei de Organização Judiciária.
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