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Galo se solidariza com as famílias de Dom Philips e de Bruno Pereira

Publicado em: 21/06/2022 21:35
Editoria: Notícia

Deputado Marcelino Galo Lula (PT)
Foto: AscomALBA/AgênciaALBA
O deputado Marcelino Galo Lula (PT) apresentou uma moção de pesar em razão da morte do jornalista Dom Philips e do indigenista Bruno Pereira. Através do documento, protocolado na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), o parlamentar lamentou o ocorrido e desejou força à família e amigos das vítimas. “Minha solidariedade às famílias, amigos (as), a todos (as) os (as) ativistas dos movimentos ambientalistas, indigenistas do Brasil e do mundo, pela perda irreparável destes bravos guerreiros, nossos companheiros”, afirmou.

Dom Philips, cidadão britânico, era um jornalista que contribuiu com vários veículos de renome, como Washington Post, New York Times, Financial Times e The Intercept, mas sua contribuição mais frequente era para o britânico The Guardian. Atualmente morava em Salvador com a esposa, Alessandra Sampaio, e fazia viagens à Amazônia frequentemente desenvolvendo trabalhos jornalísticos. Ele viajou para Amazonas em companhia do indigenista Bruno Pereira, membro da ONG Univaja e servidor licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Bruno Pereira teve que se licenciar de suas funções junto à Funai devido ao clima hostil que se instalou no órgão contra ele no ano de 2019. Em setembro daquele ano, quando ainda era coordenador-geral de Índios Isolados e de Recente Contato no órgão, ele coordenou a operação Korubo, uma grande investida contra o garimpo ilegal no Sudoeste do Amazonas que destruiu 60 balsas dentro da Terra Indígena Vale do Javari. Bruno foi exonerado do cargo de coordenador geral 15 dias depois da operação pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Luiz Pontel de Souza, sub do então ministro Sérgio Moro.

Sabe-se que, a partir daquela operação, a Funai começou a receber pressão de garimpeiros e pessoas ligadas ao lobby do setor e que depois da sua exoneração, nenhuma outra grande operação foi realizada pelo órgão. Bruno era alvo de constantes ameaças, por seu trabalho junto aos indígenas e contra invasores de terra, garimpeiros, madeireiros e pescadores ilegais. Dom e Bruno foram vistos pela última vez na comunidade de São Rafael, dentro da TI Vale do Javari, por volta das 6h do dia 5 de junho, um domingo. Eles estavam em uma embarcação rumo a Atalaia do Norte, mas nunca chegaram ao local. A TI Vale do Javari é o segundo maior território indígena do país.

O local, que abriga os povos Matis, Matsés, Tsohom-dyapa, Marubo, Kulina Pano, Korubo, Kanamari e vários grupos de índios isolados, é marcado pela forte pressão do garimpo ilegal, roubo de madeira, tráfico de drogas e pesca ilegal. A região também é alvo de cartéis de drogas e armas que agem na fronteira do Brasil com Peru e Colômbia. Somente este ano, foram feitos seis pedidos do Governo Federal para reforço da proteção na região. As buscas e localização de pertences de Philips e Bruno Pereira só puderam ser feitas através dos esforços de indígenas dos povos Marubo, Mayuruna, Matis, Kanamari e Kulina, que se articularam desde as primeiras horas após o desaparecimento.




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