Íntegra do discurso do governador na Assembléia
Senhor Presidente, Senhoras Deputadas, Senhores Deputados,
É uma honra renovada comparecer à abertura dos trabalhos do ano de 2008 dessa 16ª Legislatura de nossa Assembléia Legislativa. É sabido o respeito que devoto ao Legislativo. Ainda assim, quero dizer da importância que esta Casa tem para as instituições republicanas e do seu papel essencial na construção de uma Bahia que acolha a todos, na consolidação de um projeto de desenvolvimento que seja capaz de dar condições dignas de vida ao nosso povo.
O Legislativo é, por excelência, o lugar da diversidade. Nessa Casa estão presentes as diversas visões políticas da sociedade baiana. É o lugar do debate, da discussão, e é a fonte de nossa legislação. Ao governo importa muito ouvir o que a Assembléia tem a dizer porque isso o ajuda a consolidar o que estiver certo, corrigir o que houver de erros. Por essa consciência, meu governo tem mantido uma relação de profundo respeito com essa Casa e tem tido dela, sempre, uma resposta respeitosa e soberana.
"Esta Casa tem para as instituições republicanas um papel essencial na construção de uma Bahia que acolha a todos e na consolidação de um novo projeto de desenvolvimento"
Minha experiência de vida sindical, parlamentar e de ministro do governo Lula alicerçou meu respeito à atividade legislativa e, simultaneamente, consolidou minha convicção de que a democracia representativa tem, necessariamente, para alargar suas possibilidades, que se socorrer de uma participação muito mais decisiva do nosso povo. Um dos intelectuais que mais têm refletido sobre as mudanças que o mundo vem experimentando, Boaventura de Sousa Santos fala em democracia redistributiva para caracterizar a necessidade dessa nova ordem política, que, sem excluir a democracia representativa, garanta a presença ativa e direta da população na vida política.
Começo falando assim para refletir sobre as conquistas desse primeiro ano de nosso governo, primeiro ano que contou com a participação decisiva dessa Assembléia Legislativa. Ao falar de conquistas, sei disso, imagina-se logo a materialidade das coisas, o que é natural. Eu quero, no entanto, antes de discutir o lado material, falar de outras mudanças, muito mais vinculadas à idéia de uma democracia ampliada e de uma sólida visão republicana do que a esta ou àquela obra – embora creia que a obra de que trato aqui seja a mais importante de todas.
Na política, mais do que tudo, os valores são fundamentais. É partir deles que orientamos nossa ação. Os valores da democracia, a noção de república, a ética, a transparência é que dão base a um governo que possa promover mudanças a favor do povo. Valores são o alicerce da atividade política.
Posso dizer que, passado um ano, temos uma outra Bahia quanto aos valores, quanto ao clima político que se respira. Tenho recolhido depoimentos diários, espontâneos, sobre esse novo clima, pleno de liberdade.". Prefeitos me procuram para dizer que, mesmo não tendo votado em mim, hoje são recebidos com todo o respeito por autoridades do meu governo.
"Ao governo do Estado importa muito ouvir o que a Assembléia Legislativa tem a dizer porque isso o ajuda a consolidar o que estiver certo, corrigir o que houver de erros"
Sabemos que o mais difícil, sempre, é mudar a cultura, hábitos arraigados. É a mudança dessa cultura que nós estamos promovendo. Acabou o tempo da chefia autoritária. Estamos sob o tempo da autoridade democrática.
O atalho do autoritarismo acabou-se na Bahia. A política do grito, da arrogância, está confinada ao passado. Esse foi o recado do povo da Bahia quando decidiu mudar os rumos do Estado, fazendo-me governador de todos os baianos. Um recado incisivo, um grito de liberdade.
Nosso governo esteve sempre consciente da necessidade imperiosa de respeitar a cidadania, respeitar cada homem, cada mulher que vive em nossa terra sem nunca perguntar sobre sua filiação política, religiosa, cultural ou de qualquer outra natureza. As credenciais a serem respeitadas são as da cidadania, são aqueles direitos consagrados em nossa Constituição – tanto a Constituição Federal como a Estadual – e os demais direitos legais. Ninguém, sob meu governo, pode sobrepor-se aos direitos dos cidadãos, das cidadãs.
Importa, sempre, a um governo republicano e democrático, os interesses do povo de cada município, nunca o partido a que pertence a autoridade municipal. Perseguir um prefeito, uma prefeita porque pertenciam a correntes políticas diferentes do governante foi prática comum na Bahia. Isso acabou no meu governo.
Fizemos questão de sepultar o segredo como política de Estado, o favorecimento de grupos, o desprezo com o dinheiro público, a marginalização dos adversários. E insistimos, desde o primeiro momento, em estimular a participação popular.
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