Os desafios na área de segurança pública dominaram a rápida entrevista coletiva que o governador Jaques Wagner concedeu ao fim da solenidade, no Comitê de Imprensa da Assembléia Legislativa. Wagner reconheceu os problemas na área, mas argumentou que a violência é uma questão que afeta o Brasil inteiro. "A segurança é uma preocupação do presidente Lula e dos 27 governadores estaduais", afirmou ele.
De acordo com Wagner, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, lhe apresentou uma pesquisa, mostrando que, há 25 anos, a violência no país cresce, em média, 5% ao ano. "Então, a violência é um problema estrutural que precisa ser combatido com políticas estruturantes. E é isso que o presidente está procurando fazer com a implantação do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania)."
Mas o governador garantiu que não há paralisia no setor. Citou como exemplos de iniciativa na área a construção de presídios em Eunápolis, Barreiras, Vitória da Conquista, além de dois em Salvador. Outra medida anunciada por ele é a implantação de uma central de penas alternativas. "É inconcebível que uma pessoa que tenha roubado uma bicicleta no interior seja trancafiada com delinqüentes que cometeram crimes violentos, por exemplo. Se restar alguma auto-estima e vergonha na cara a esse indivíduo, com a pena alternativa ele não voltará a delinqüir", acredita o governador.
Jaques Wagner diz encarar as críticas na área com naturalidade, mas muitas vezes com tristeza. "Há pessoas que não reconhecem que deixaram de fazer durante muito tempo e agora querem que resolvamos tudo em um ano", alfinetou, sem apontar nomes.
Ele citou o plano de segurança do Carnaval, no qual foram investidos R$ 21 milhões, como exemplo de iniciativa bem-sucedida na área. Para o governador, quem cumpriu a meta de reduzir a violência na festa foram as polícias Civil e Militar. "Vou me encontrar agora com 40 investidores, em Itacaré, e eles comemoram o fato de o Carnaval ter sido um dos mais tranqüilos dos últimos anos."
Mas, para o governador, por mais que se invista, não será suficiente para resolver o problema de segurança. Ele citou uma pesquisa, segundo a qual mais de 50% dos jovens baianos com 18 anos estão fora da escola. "Pense no que isso significa para um corpo cheio de energia e uma cabeça que não vê perspectivas em nada". De acordo com ele, o governo está no caminho certo para melhorar as coisas. No ano passado, acrescentou, foi ofertado na Bahia o dobro de emprego em relação a 2006. Ele citou também o encontro de cultura realizado em Feira de Santana, que reuniu jovens de 350 municípios. "Isso tudo dá horizontes às pessoas."
REFORMA
Além dos problemas na área de segurança, Wagner respondeu com naturalidade os questionamentos sobre reforma no secretariado. Segundo ele, não há data marcada para a reforma administrativa. "O que existe é uma avaliação permanente e podemos mudar nomes por disfunção técnica ou necessidade política". Wagner reconheceu, no entanto, que em 2007 teve um leque de apoio e que este ano esse leque se ampliou. "Então, pode haver demanda para mudanças. É da natureza humana que haja mudanças."
Sobre a relação com a Assembléia Legislativa, ele reiterou que, apesar da ampla maioria da base governista (48 dos 63 deputados), espera que os projetos encaminhados sejam aprovados após extensos debates. "A Assembléia é a Casa do povo, que reflete a pluralidade da população baiana, por isso o debate é importante."
Acerca das críticas da oposição, Jaques Wagner lembrou que faz parte do jogo da oposição jogar luzes sobre as metas que não foram atingidas em 2007, ao tempo em que o governo sempre vai procurar potencializar os aspectos positivos. "Fui 12 anos deputado federal, fui articulador do governo Lula no Congresso Nacional, de forma que vejo com muita naturalidade esse jogo democrático."
Questionado sobre as dívidas herdadas do governo anterior, ele repetiu o discurso de que não gosta de olhar pelo retrovisor, mas não deixou de falar em números: R$ 800 milhões entre dívida e restos a pagar. "Eles deixaram problemas enormes porque não imaginavam que iam perder a eleição e acharam que poderiam rolar essa dívida ao longo de quatro anos. Mas já pagamos, pelo menos, 80% dela", disse o governador, acrescentando que o Estado registrou uma arrecadação maior em janeiro de 2008.
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