Na ilha, eles conhecem sistemas de educação e saúde do país
HAVANA (por Osvaldo Lyra)- Os deputados estaduais que integram a delegação baiana em visita a Havana, capital de Cuba, se reuniram com o diretor de Relações Internacionais da Província de Havana, Ramón Pérdomo Mânsio, para dar início aos entendimentos que possibilitarão a construção de intercâmbios políticos e culturais, com estabelecimento de convênios de cooperação técnica na área de educação para jovens e adultos.
No encontro, que aconteceu no salão Baracoa, no Hotel Nacional de Cuba, foram acertados os últimos detalhes da agenda oficial, que prevê eventos e reuniões nas áreas de saúde, educação, cultura, agricultura, turismo, relações exteriores e política. De acordo com o deputado Álvaro Gomes (PCdoB), "a visita está proporcionando à delegação o conhecimento de experiências de sucesso, como na medicina de ponta, que é referência em todo o mundo".
As deputadas Antonia Pedrosa (PRP) e Fátima Nunes (PT) afirmaram que a viagem está aproximando "tão distantes realidades latino-americanas". "Os cubanos são muito evoluídos em áreas que no Brasil são deficitárias. Portanto, temos que aproveitar para levar o máximo de conhecimento possível para que possamos propor sugestões ao governo do Estado, que permitam a melhoria dos serviços oferecidos à população baiana", disse Fátima Nunes.
Outro tema que despertou a curiosidade do deputado Bira Coroa (PT) foi a participação da mulher no mercado de trabalho cubano. Já o deputado Reinaldo Braga (PSL) quis saber sobre biotecnologia, que já gerou mais de 600 patentes para novas drogas, como vacinas, proteínas e sistemas de diagnósticos.
COOPERAÇÃO
Os deputados estaduais baianos deram início a um acordo de cooperação técnica com o governo de Cuba na área de educação. Os parlamentares que integram a delegação da Bahia, em Havana, entregaram para o reitor do Instituto Superior Pedagógico Latino-Americano e Caribenho (Iplac), César Torres Baptista, um ofício do governo do Estado solicitando a formalização de um convênio, através da Secretaria de Educação, para erradicação do analfabetismo no território baiano.
A expectativa do deputado estadual Álvaro Gomes (PCdoB) é que o entendimento possa ser intensificado para que a metodologia cubana - de alfabetização de jovens e adultos em apenas três meses - seja colocada em prática e contribua com a erradicação do analfabetismo na Bahia. O líder do governo na Assembléia, deputado Waldenor Pereira (PT), afirmou que existe ainda um alto índice de analfabetos e analfabetos funcionais. "Precisamos aproveitar experiências que possam ser juntadas a projetos do governo federal, como o Brasil Alfabetizado, para erradicar com esse mal em nosso estado e em nosso país", completou o deputado Getúlio Ubiratan (PMN).
O deputado Ivo de Assis (PR) usou como referência a realidade cubana para justificar a formalização do convênio com a província de Havana. "Cuba é livre do analfabetismo desde 1961. O método usado aqui é adotado como referência em todo o mundo", afirmou. Segundo o deputado Sérgio Passos (PSDB), "basta nós olharmos a experiência desenvolvida na Venezuela. Em menos de dois anos eles conseguiram exterminar o analfabetismo. Portanto, podemos fazer o mesmo".
Após o encontro, o reitor do Instituto Superior Pedagógico Latino-Americano e Caribenho, César Baptista, se comprometeu a encaminhar a solicitação dos parlamentares baianos para o Ministério de Educação Superior, que dará prosseguimento ao processo. Caso seja efetivada a parceria, o Iplac ficará responsável pela execução. A instituição, reconhecida pela Unesco, capacita professores em todo o continente latino através de cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado, além de contribuir com a diminuição do analfabetismo e incentivar a manutenção dos estudos entre jovens e adultos.
Os deputados aproveitaram ainda para conhecer a estrutura e o ensino desenvolvido na Universidade de Havana, que possui 280 anos de fundada e oferece 39 cursos espalhados por 17 faculdades.
SAÚDE
A bem sucedida experiência na saúde pública de Cuba foi conhecida pelos deputados baianos que integram a comitiva oficial em Havana. Durante um encontro com a diretora de Saúde da província, Yamila De Armas, os parlamentares ouviram relatos sobre todo o processo de mudança na área, desde a revolução cubana, em 1959, até os dias atuais. O pontapé inicial, segundo ela, se deu com a unificação do sistema, que era dividido em público, privado e misto. Hoje, além de ser gerido pelo governo, os recursos são movimentados pelas próprias províncias (estados) e municípios. "Apenas 10% do orçamento da saúde são geridos pelo Ministério".
De acordo com Yamila, era preciso dar início a um processo severo de mudança, que proporcionasse uma saúde de qualidade para a população. "Em 1965, por exemplo, a mortalidade infantil era superior a 70 por cada mil crianças nascidas. Tínhamos que agir para mudar essa realidade". Para que a saúde cubana fosse usada como referência hoje em todo o mundo, foram necessárias transformações, que passaram desde a grade curricular nas universidades ao modo de execução do sistema.
No meio desse processo, cerca de 70% dos médicos cubanos deixaram o país. Diante desse cenário, foram necessários investimentos na formação de material humano, no fortalecimento da rede institucional e participação e comprometimento social com a causa. "Mesmo com o embargo norte-americano e com todas as dificuldades financeiras, conseguimos oferecer um serviço pleno, com um médico para cada 120 famílias. Passamos a desenvolver nossas próprias tecnologias e ampliar nosso corpo clínico".
Na década de 80, a saúde pública cubana já detinha indicadores positivos, que foram fortalecidos com a implantação de um programa médico familiar (que serviu de base para o Programa de Saúde da Família – PSF – no Brasil). "Durante 50 anos conseguimos consolidar nossa saúde pública e passamos a dividi-la com outros países do mundo. Tanto que, hoje, metade de nossos médicos está em missão em outros 73 países", informou a diretora provincial de Saúde de Havana. De acordo com Yamila, a província cubana detém atualmente 2,2 milhões de habitantes, sendo responsável pela realização de 700 cirurgias diárias de alta complexidade e 200 de urgência-emergência. A delegação visitou ainda o Hospital Psiquiátrico de Havana, quando conheceram os métodos e tratamentos utilizados no país.
REDES SOCIAIS