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Fabíola Mansur lamenta morte de Paulinho Camafeu

Publicado em: 03/12/2021 17:11
Editoria: Notícia

Deputada Fabíola Mansur (PSB)
Foto: Arquivo/ASCOM

“Que bloco é esse? Eu quero saber. É o mundo negro, que viemos mostrar pra você. Somos crioulo doido, somos bem legal. Temos cabelo duro, somos black power”. Os versos deste sucesso, que embalou os associados do Ilê Aiyê ao longo de muitos carnavais, são de Paulinho Camafeu, que morreu na segunda-feira (29), aos 73 anos, no Hospital do Subúrbio, em Salvador. Na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), a deputada Fabíola Mansur (PSB) encaminhou à Mesa Diretora uma moção de pesar pelo falecimento do cantor e compositor, um dos criadores da Axé Music, com importantes contribuições para a evolução dos artistas da nossa terra.

Nascido na capital baiana, em 1948, Camafeu fez parte das antigas escolas de samba e também integrou os blocos de índio, iniciando a carreira artística como compositor no Apaches do Tororó. Segundo a socialista, com a composição Que bloco é esse?, gravada pelo cantor Gilberto Gil no LP Refavela, o artista soube entender exatamente a proposta do bloco afro da Liberdade, de sair com um bloco só de negros e exaltando a beleza negra. “Paulinho traduziu perfeitamente esse espírito”, escreveu a parlamentar.

No documento, a presidente da Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Serviços Públicos da ALBA cita como nasceu a música, nas palavras de Antônio Carlos dos Santos, o Vovô do Ilê: “Lembro bem dele chegando, com parte da letra pronta e terminando o resto aqui no Curuzu”.

Na moção, a legisladora relata que o pai do compositor era comerciante do Mercado Modelo, onde seu padrinho, Camafeu de Oxóssi, trabalhava como dono de um famoso restaurante. Desde cedo, Paulinho Camafeu procurou inspiração na cidade onde nasceu para compor suas canções, verdadeiros retratos sociais de Salvador. O artista gravou seu primeiro disco, “Mãe Natureza”, em 1987. 

A parlamentar fez questão de reproduzir uma mensagem de Gil em homenagem a Camafeu: “Conheci Paulinho ainda muito jovem, no Mercado Modelo, quando voltei do exílio e frequentava o local. Com o passar do tempo, ele colaborou muito com o movimento musical baiano. Uma pessoa doce, gentil, um talento daqueles que brotam nas ruas de Salvador. Um belo percussionista com toda uma impregnação profunda da africanidade, da baianidade. Me habituei a chamá-lo de menino, então é um menino que se vai depois de uma vida muito bonita. Fica uma saudade enorme de Paulinho Camafeu”, escreveu.

“Adeus, Paulinho Camafeu! Parte um soberano do Ilê Aiyê, um dos pais e mestres da Axé Music. Descanse em paz e muito obrigada”, concluiu a deputada Fabíola Mansur, solicitando que a moção seja do conhecimento da família de Paulinho Camafeu, da Secretaria de Cultura da Bahia e do Bloco Afro Ilê Aiyê.



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