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Fabíola diz que perda do maestro Letieres Leite "é imensurável para a Bahia"

Publicado em: 28/10/2021 06:42
Editoria: Notícia

Deputada Fabíola Mansur (PSB)
Foto: Arquivo/ASCOM

A Bahia lamenta o falecimento do maestro, músico, educador, compositor e arranjador Letieres Leite, aos 61 anos, ocorrido nesta quarta-feira (27), em decorrência da Covid-19. Apesar de já ter tomado as duas doses da vacina contra o coronavírus, o maestro sofria de asma e constantemente fazia uso da bombinha para controlar a respiração. Na Assembleia Legislativa, a deputada Fabíola Mansur (PSB), expressando o sentimento de muitos parlamentares, registrou uma moção de profundo pesar pela perda do músico soteropolitano que comandava a Orkestra Rumpilezz.

No documento, a socialista lembra que o artista tinha uma trajetória que passava tanto pela música instrumental bem como pela Música Popular Brasileira. “Letieres era um eterno apaixonado pela cultura baiana, dedicando uma atenção especial pelo universo percussivo de nossa terra”, pontua. O projeto Rumpilezz, já com este nome, teve início no Teatro Gamboa, em 2005, onde o músico promoveu o encontro de músicos da cena instrumental baiana com percussionistas de atabaques, os Alabés. No ano seguinte, criou a poderosa Orkestra Rumpilezz, que veio a se tornar o maior orgulho dos seus 30 anos de carreira.

Desde cedo, Letieres Leite abraçou o mundo das artes, começando a trabalhar aos 13 anos. Gostava tanto do mundo das artes plásticas que chegou a ter uma exposição de seus trabalhos com pintura e gravura na Biblioteca Central dos Barris, em Salvador. Em 1977, passou no vestibular para Artes Plásticas na Universidade Federal da Bahia (Ufba), cursando a faculdade durante três anos. Ao mesmo tempo, Letieres Leite procurava aprender, como autodidata, os acordes do universo musical. O interesse aumentou ao longo dos anos e começou a cursar as disciplinas eletivas sobre a temática, enriquecendo seu conhecimento, abrindo espaço para a profissionalização.

A presidente da Comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Serviços Públicos da ALBA conta que o músico começou, então, a tocar com artistas locais, como os cantores e compositores Gerônimo e Saul Barbosa, dentre outros. Nos anos 1980, decidiu morar no Sul do Brasil e fundou conjuntos musicais, além de escrever arranjos para a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. Fabíola informa que Letieres também mostrou seu talento no exterior, vivendo na Áustria, onde fez parte do Franz Schubert Konservatorium, em Viena. Ele tocou em festivais na Europa e no Brasil e acompanhou ainda artistas consagrados da MPB, como Gilberto Gil, Elba Ramalho, Lulu Santos, Carlinhos Brown e muitos outros.

Em 1994, prossegue a parlamentar, o maestro voltou para o país, participando de gravações com diversos artistas. Letieres foi o maestro de Noturno, o belíssimo álbum de Maria Bethânia, lançado em julho daquele ano. No campo acadêmico, Leite ensinou no curso de extensão de saxofone da Faculdade de Música da Ufba e fundou a Academia de Música da Bahia. Ao finalizar a moção, a legisladora fez um depoimento emocionado, ressaltando ser muito difícil falar da morte de Letieres Leite, explicando que o fato estava “acima da nossa compreensão”.

“Ele morre no auge de sua inventividade e reconhecimento. Tinha tanto por fazer, muita vida e sempre entusiasmado. Entregava tantas belezas ao mundo, uma mente genial, original e brilhante. Uma perda de grande dimensão para a música brasileira. Uma bússola, um farol, dono de uma inteligência extraordinária. Criativo, talentoso, uma figura humana adorável, muito simples na sua genialidade e sabedoria. Estou profundamente triste. Perda imensurável para nossa Bahia, Brasil e o mundo. Que sua família, amigos e uma legião de fãs e admiradores encontrem forças para suportar tamanha dor. Obrigado por todas as aulas, mestre. Descanse em paz !”, concluiu a deputada Fabíola Mansur.



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