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Oposição e situação travam duelo verbal

Publicado em: 07/12/2007 00:00
Editoria: Diário Oficial

Delegados, como Walquíria Barbosa, reclamam que têm de trabalhar até a expulsória
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Tadeu Fernandes avaliou a audiência pública de ontem como bastante produtiva pois realizou uma radiografia da segurança pública. Ele contou que já alertou o governador Wagner que o governo tem cometido erros no combate à violência e que nenhum secretário será capaz de avançar na burocracia se o próprio governador não tomar as rédeas da segurança e abrir os caminhos dentro da SSP.
No plenário, vários parlamentares se sucederam à tribuna protagonizando fortes debates. O líder da oposição, deputado Gildásio Penedo (DEM), elogiou os delegados por ter dado "mais um voto de confiança ao governo" e adiado uma greve que tinha data e hora para começar. Ele atacou a administração estadual por ter investido R$17,6 milhões dos R$105,49 milhões previstos no orçamento, cerca de 17%. Enquanto isso, "os números oficiais apontam para um aumento de 45% dos homicídios na Região Metropolitana de Salvador (RMS) e o dobro dos assaltos a banco, em relação a 2006.
O deputado Zé Neto (PT) pediu a palavra, em parte respondendo à questão da recomposição salarial dos delegados que, segundo Walquíria Barbosa, já foi o maior do país, entre 1986 e 1987. "Defendo convicto o propósito deste governo que é a restauração do estado de direito", disse, explicando que Wagner encontrou uma "máquina estupidamente desmantelada". No entanto, Zé Neto disse que é preciso empreender mais dinâmica, ação e energia para enfrentar a violência no estado.
O contraponto veio nas palavras da deputada Maria Luíza Laudano (PTdoB), que lembrou que faltava tudo à polícia, quando ela prefeita de Pojuca, tendo que fazer reforma de delegacia, e contribuir com papel e combustível. "A mesma situação se encontra hoje, todos os delegados sabem que não é só desse governo", disse. Ela falou de descaso com a segurança pública e classificou o salário de um delegado de irrisório. Ela alertou ainda para uma desarmonia na SSP. Sem citar nomes (os do secretário Paulo Bezerra e do delegado-chefe, João Laranjeira) apelou para o ditado popular: "Dois carneiros de chifre não podem beber água na mesma cumbuca".
O deputado Gilberto Brito (PR), delegado de profissão, procurou fazer uma análise além da segurança. "Infeliz do povo em que a secretaria de segurança é a mais importante na estrutura governamental, porque quando isso ocorre é porque tudo falhou, pai, mãe, escola", disse, citando suas iniciativas parlamentares para buscar soluções, a exemplo de pagamento extra para o delegado substituto. Ele também disse que os R$4,5 milhões previstos para manutenção no orçamento da SSP para o próximo ano são pouco e que está trabalhando para aumentar para R$6 milhões, valor que garante um mínimo de tranqüilidade.



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