Audiência pública na AL é marcada por acusações ao governo
O ano de 2007 foi um ano perdido para a segurança pública e ganho pela criminalidade. A definição é do deputado Tadeu Fernandes (PSB), presidente da Subcomissão de Segurança Pública, que realizou, ontem, audiência pública com os delegados da Polícia Civil para discutir a situação em que o setor se encontra na Bahia. Presente à reunião, a presidente da Associação dos Delegados, Soraia Gomes, relatou as dificuldades que a categoria enfrenta há anos no exercício profissional. Além de contar com os mais baixos salários do país, faltam uma Lei Orgânica para a atividade e condições básicas de trabalho, a exemplo de viaturas, combustível, equipamento e pessoal.
Também da associação, Pietro Baddin ressaltou que a Civil não dispõe sequer de um órgão de inteligência. Mais: ele acusou o Estado de não ter um planejamento de quatro anos para segurança e avisou que o orçamento para 2008 não é suficiente para mudar esta realidade. A reclamação dele por alta tecnologia – apenas 90 das 540 unidades policiais estão ligadas em rede – se une à de Claudemice Mayo, da Delegacia do Adolescente Infrator (DAI), que descreve as condições antigas do policiamento no interior: revólveres 38 contra bandidos com armas pesadas, sem contar com coletes anti-balas e instalações condizentes.
A presidente eleita do Sindicato dos Delegados, Andrea Gonçalves, disse que ela e os colegas estavam ali para clamar "para poder realizar um trabalho de excelência, mas para isso precisa de condições de trabalho e dignidade profissional". Para a delegada, a criminalidade está avançando sem a necessária contrapartida dos dispositivos de repressão à violência do Estado. Segundo a dirigente sindical, há um potencial enorme entre os delegados, que não está sendo exercitado por falta de estrutura. Contou sua experiência pessoal à frente do Grupo Especial de Repressão aos Crimes de Extermínio (Gerce): após receber o órgão com apenas duas viatura padronizadas, demorou meses para obter quatro carros descaracterizados. Quando ocorreu, no entanto, foram desarticulados três grupos de extermínio e elucidados 22 homicídios em apenas um mês.
EXPULSÓRIA
Walquíria Barbosa, da Corregedoria da Polícia Civil, está na corporação há 30 anos. Contando com outros 13 anos em outra atividade, são 43 anos de trabalho e perspectiva distante de aposentadoria. "Somos obrigados a trabalhar até a expulsória (aos 70 anos o servidor público é obrigado a se aposentar)", disse, explicando que os vencimentos caem em 50% quando o servidor deixar de ser ativo. Ruim para quem envelhece no trabalho duro, pior para os mais novos, que não têm perspectivas de evoluir na carreira: "Há uma estagnação forçada", definiu, lembrando que não há espaço para promoções, se os antigos continuam ocupando as categorias superiores.
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